17 de junho de 2015

A redução da Maioridade Penal e o sistema penitenciário brasileiro





  


A discussão sobre a redução da maioridade penal no Brasil tem trazido à tona muitos argumentos daqueles que são a favor ou contra. O debate a respeito de todos é salutar e até mesmo uma consulta popular seria de importância vital para uma eventual da regra hoje existente. 

De plano quero deixar consignado que sou a favor.

Não comungo do critério adotado pelo nosso legislador penal de adotar o sistema biológico, o qual exige apenas o requisito causal, isto é: basta o agente não ter atingido dezoito anos de idade para ser considerado inimputável. Essa idade é fixada levando-se em consideração sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento e sua capacidade de discernimento ainda em formação.

Estaria certo o nosso legislador penal diante do mundo em que vivemos hoje?

O debate sobre tal aspecto demandaria um trabalho científico interdisciplinar e não será objeto dessa postagem.

Por outro lado, e ainda com base em outro argumento trazido por daqueles que são contra a redução da maioridade penal, vamos analisar o sistema prisional brasileiro sob dois aspectos: o seu poder de reeducação e a sua capacidade de absorver o contingente de presos.

Em recente entrevista, o Ministro da Justiça, José Cardoso, afirmou “que o governo defende um tempo maior de internação para jovens que praticarem crimes hediondos, com violência ou grave ameaça, como alternativa à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.  Cardozo disse ainda que a redução da maioridade penal é um equívoco e pode provocar caos no sistema penitenciário, que já tem déficit de 300 mil vagas”.

Aprendemos em nossos cursos de Direito que as penas restritivas de liberdade impostas para aqueles que descumprem preceitos legais, têm como objetivo reconduzir social e moralmente a pessoa para a sociedade, dando a ela uma nova chance de se redimir do que cometeu e se inserir novamente no meio social.

O nosso sistema penitenciário, ao contrário, além de não comportar o grande número de criminosos e de não reeducar, transforma-se em uma concentração ou um campo de treinamento mental de criminosos.

Não há como não concordar com tal argumento. 

Todavia, ele não pode servir de motivo para que a discussão da redução da maioridade penal seja conduzida apenas com o olhar nesse aspecto. Se o nosso sistema prisional está deixando de atender a finalidade da sua existência, ou seja, não tem capacidade de absorver aqueles que para lá devem ser conduzidos, dando-lhes um tratamento humano e a possibilidade de se reeducarem, ele não serve também para acolher aqueles que já atingiram a maioridade penal.

Correta a afirmação do ministro do STF, Marco Aurélio Mello, de que “cadeia não conserta ninguém”. É evidente de que ele fala da cadeia brasileira. Mas se isso é verdade, não seria o caso de mandar soltar todos os presos?

 Volto a repetir que a questão do sistema penitenciário brasileiro é um argumento válido quando se discute a eficácia da redução da maioridade penal. No entanto, a alteração do limite de idade de 18 para 16 anos não pode ficar atrelada a eficácia ou não do nosso sistema prisional. É necessário, e disso não tenho dúvida, de estudar a capacidade e entendimento do menor hoje considerado inimputável pela nossa legislação na prática de delitos. 

Estou convencido de que na sociedade atual os jovens entre 16 e 18 anos possuem discernimento suficiente para serem responsabilizados criminalmente. Isso é claramente demonstrado nos delitos que praticam com requintes de extrema crueldade e sabiamente planejado. 

A discussão da redução da maioridade penal não pode limitar-se apenas a falência do sistema prisional brasileiro como quer a maioria daqueles que se posicionam contra. Outros fatores de relevância maior estão na mesa de discussão. 

Apesar de todos os argumentos contrários a redução da maioridade penal, estou convencido que o clamor popular irá influenciar nossos legisladores e a emenda constitucional que trata dela será aprovada.

Por se tratar de uma questão de extrema complexidade, o nosso Congresso deveria proceder a estudos mais científicos antes votar a redução da maioridade penal.


 
               

5 de maio de 2015

Panelaço: uma nova maneira de manifestar








O brasileiro aprendeu utilizar o panelaço como forma de protestar. E não há duvida que a repercussão foi positiva pelo menos para a assessoria da presidente Dilma. Com receio de um novo panelaço, pela primeira vez desde que  assumiu à presidência, ela deixou de falar à nação no último 1º de maio.

       Novo panelaço está marcado para a noite de hoje (4 de maio), dia em que será realizado um pronunciamento do ex-presidente Lula e outros dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), no programa do partido. 

       A presidente, mesmo desagradando seus companheiros, já disse que não fará qualquer pronunciamento.

            Por certo os fabricantes de utensílios domésticos devem estar satisfeitos, pois a raiva incontida de muitos dos manifestantes é tal, que muitas dessas panelas poderão ficar irreversivelmente imprestáveis para o seu uso convencional.

       Se a moda de fato pegar, e até que a crise política se afaste de vez do cenário nacional, não restam dúvidas de que em breve estará no mercado uma panela apropriada para panelaço.

       Muitos acreditam que foram os argentinos os percussores dos panelaços. Mas segundo o site cujo link segue abaixo, eles surgiram no Chile.

       Se for verdade que em “panela velha é que faz comida boa”, espera-se que o povo brasileiro utilize o mais velha possível para mudar o quadro caótico da nossa política.   

    


http://wescribe.co/t/a-origem-dos-panelacos     
      
      


1 de maio de 2015

Manifestações: Por que parou.., parou por quê?







   

       


As manifestações recentemente ocorridas no Brasil demonstraram, como aquelas outras que aconteceram antes da realização da copa no Brasil, que elas não tinham força suficiente para sequer deixar qualquer saldo positivo.

Como um velho despertador, sem os dispositivos atuais de repetição, as manifestações somente acordaram por alguns instantes o povo brasileiro, que hoje continua dormindo em seu sono esplendido. 

O famoso “jeitinho brasileiro” de fato está configurado como uma característica nociva em nossa sociedade. Se tudo que está ao nosso lado parece despencar, nos levando para o fundo do poço, ainda assim vamos buscar subterfúgios e acreditar que não iremos cair.

Uns alegam, como dizia Euclides da Cunha, que “todo brasileiro e, antes de tudo, um forte”, superando os obstáculos que são colocados em nossa frente como isso fosse uma verdade incontestável.

Em qualquer situação, independentemente da sua realidade, o brasileiro sempre está em busca de uma felicidade, por acreditar sempre num bem estar que não lhe é dado. São devaneios que se tornam verdade para ele, apesar de estar sempre nadando contra a maré.

Tudo isso reforça a tese de que o brasileiro não tem e não pretende ter qualquer engajamento na vida política do seu país. As manifestações ao contrário de demonstrarem que o brasileiro acordou, serviu para comprovar que elas se constituíram num simples instante de indignação ou de num programinha diferente para fazer naquele dia em que nada de interessante havia para ser feito.

Encontramos no site Plataforma Brasil um artigo que fala do desinteresse do cidadão brasileiro pela política. Em certo trecho vamos encontrar que “A ciência política e a história (que sempre se repete) ensinam que a omissão pavimenta o caminho do absurdo, da barbárie e dos descaminhos. Ensinam ainda que o conforto fútil e a falsa sensação de inabalável prosperidade anestesiar e inibir os necessários enfrentamentos e conflitos tão ricos ao amadurecimento”.

Sem esperança que tudo isso venha mudar, volta-se a buscar no site antes citado, uma frase que é atribuída a Martin Luther King, para o qual ““O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. 

No Brasil os bons estão calados!!!

28 de março de 2015

FIES - Governo muda regra no meio do jogo





                O governo federal alterou as regras do Fies exigindo, a partir deste ano, que o aluno ao se inscrever no programa de financiamento estudantil tenha obtido, no mínimo,  450 pontos no Enem.

A nova regra é contestada por muitos pelo fato de menos de 10% dos alunos conseguirem tal pontuação (veja resultado do Enem 2014), excluindo, dessa forma, uma parcela significativa de estudantes do sonho de cursar uma faculdade e, pior que isso,  descaracterizando totalmente o programa que tinha como objetivo incluir alunos oriundos da rede pública no ensino superior.

Mais do que isso, a regra foi estabelecida sem que as partes interessadas (alunos) soubessem que para ingressar no ensino superior, via Fies era preciso obter 450 pontos no Enem. Quando os alunos prestaram o Enem em 2014 tal regra não existia.

Em razão disso, a Justiça Federal de Alagoas já proferiu uma decisão anulando tal regra estabelecida, ressaltando que ela só poderia ser aplicada após a edição do Enem de 2015.

Corretíssima a decisão da Justiça Federal de Alagoas . Não se muda a “regra do jogo em pleno andamento do campeonato”. Todavia,  essa decisão é ainda passível de recurso, podendo ser alterada pelas instâncias superiores.

Está na hora de os estudantes brasileiros irem às ruas e protestar contra a mudança das regras do Fies.


E diante disso cabe uma pergunta: cadê a UNE que sempre se fez presente na luta pelos direitos dos estudantes como das questões políticas do nosso país? 

19 de janeiro de 2015

Pena de Morte, sim ou não?






      
Marco Archer Cardoso Moreira, um brasileiro, acaba de ser executado na Indonésia, após ser julgado e considerando culpado por tráfico de drogas. Pelo que li, ele era réu confesso e estava arrependido do ato criminoso que praticou.

Por outro lado, não se pode deixar de considerar que naquele país a pena de morte faz parte do conjunto normativo que é aplicado em caso de prática de um fato considerado delituoso. 

Diante disso, nada a objetar com relação ao direito daquele país de aplicar a sua lei, mesmo que ela vá à contramão dos instrumentos utilizados pelos demais países para punir os criminosos. 

Assim, empunhar uma bandeira contra a pena de morte é o direito de todos aqueles que não concordam com a mesma, mas fazer de Marcos Archer, um criminoso confesso, um herói é um absurdo. 

E mais absurdo é que já estão pensando em fazer um filme para contar a história de Marco Archer. Só espero que ele não seja um herói no roteiro a ser criado.

Em entrevista concedida a um jornalista, ainda na cadeia, ele disse: “Sou traficante, traficante e traficante, só traficante”. “Nunca tive um emprego diferente na vida”. 

Leia na íntegra a entrevista que ele deu ao DCM e tire suas conclusões.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-perfil-de-marco-archer-por-um-jornalista-que-conversou-com-ele-4-dias-na-prisao/

       Não sou a favor da pena de morte, mas defenderei o direito da Indonésia de tratar os criminosos de conformidade com as leis vigentes naquele país.


       Concordo com todas as tentativas que o governo brasileiro e organismos internacionais fizeram para evitar o fuzilamento de Marco, mas transformá-lo em herói é um grande absurdo.
    

20 de dezembro de 2014

26 de novembro de 2014

INICIATIVA POPULAR – UMA NORMA SEM EFICÁCIA


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O Art. 61, §2, da Constituição brasileira, regulamentado pela Lei 9.709 de 1998, estabelece que é permitida a apresentação de projetos de lei via iniciativa popular, desde que se obtenha adesão mínima de 1% da população eleitoral nacional, mediante assinaturas, distribuídos por pelo menos 5 unidades federativas e no mínimo 0,3% dos eleitores em cada uma dessas unidades. 

Creio que as exigências para a propositura de um projeto de lei, via iniciativa popular, deveriam ser flexibilizadas, pois já se demonstrou que raro foi o projeto apresentado ao longo dos últimos anos.

Dos projetos apresentados, a maioria deles não comprovou o preenchimento dos requisitos constitucionais necessários para sua admissão. Alguns tramitaram após algum parlamentar assumir a autoria de tais proposições. 

Considerando que se trata de um projeto que tramitará seguindo todas as formalidades exigidas, passando obviamente pela análise dos parlamentares, a flexibilização das exigências, especialmente número de assinatura de eleitores, por certo passaria a oferecer, de fato, que os cidadãos brasileiros pudessem participar mais efetivamente do processo de legislativo.

Se você se interessou pelo assunto recomendamos a leitura do artigo cujo link segue abaixo:






23 de novembro de 2014

Toda maioria também é burra.





                Nelson Rodrigues afirmava que “Toda unanimidade é burra”. Ouso dizer que toda maioria é mais burra ainda, ao constatar que 62% dos eleitores brasileiros não escolheram Dilma para presidir o país.

                De fato sou obrigado a concordar com uma frase que li recentemente. Não me recordo onde, por isso omito a fonte: “somos um bando de cordeirinhos cabisbaixos que fingimos ser felizes”.

                Algumas manifestações já aconteceram e outras certamente serão organizadas contra essa realidade. Mas a adesão dessa massa de 62% de eleitores é mínima. Como já foi amplamente noticiado,  o Padre Marcelo reúne muito mais pessoas nas suas missas dominicais e o mesmo se repete nas demais manifestações de cunho religioso ou social.

                As manifestações contra a Copa, o denominado “Não vai ter copa” foi um fracasso total. A copa aconteceu, e mesmo com a vergonhosa participação da seleção brasileira, o povo se escondeu para chorar “debaixo dos lençóis”.

                E isso está acontecendo agora. Estamos (62% dos eleitores) chorando no mesmo lugar a vitória de Dilma nas últimas eleições.

                Não temos liderança que nos faça sair do nosso esconderijo de lamentações. Cadê a oposição ao governo que se instalou, e que tem tudo para ficar no poder? Os nossos candidatos, Aécio e Marina onde estão? Talvez chorando a derrota no mesmo lugar que o nosso, escondidos e calados.

                Não vejo solução. Vamos continuar andando sem rumo, ou melhor, para um lugar onde o poder eleito pela minoria nos queira levar.


                Triste, mas real: a maioria é muito burra.

22 de novembro de 2014

Tá rindo do quê?



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Segundo a BBC as hienas são animais conhecidos por sua famosa risada. Porém, segundo a mesma fonte, esse som não tem nada a ver com o humor desses bichos. Segundo estudo realizado por cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, o principal motivo do ruído emitido pelo animal é a frustração.

Fazendo uma analogia a esse estudo, começo a entender a razão de o brasileiro rir tanto e a fazer piadas da própria desgraça.

A denominada “cultura do piadismo” se assemelha a outra característica do brasileiro de “dar um jeitinho em tudo”, do conformismo total diante de fatos e problemas que diariamente nos afetam.

Como afirma Enio Rezende, em Cidadania: o remédio para as doenças culturais brasileira, “rir de suas desgraças não irá ajudar os brasileiros a resolverem seus problemas, angustias e revoltas.Também não ajudará a evitar ou solucionar os problemas. É mais provável que ajude seus causadores, os maus políticos, os maus governantes, os maus empresários, os aproveitadores e os corruptos a se sentirem mais à vontade e encorajados para continuar com suas ineficiências e com suas ações imorais e maléficas”.

A cultura do “levar vantagem em tudo”, a famosa “Lei de Gerson”, parece ter sido extinta do contexto brasileiro. Chegou a hora de acabar de vez com o “piadismo”, e olhar de frente para uma realidade que exige de todos nós outro comportamento.

Como afirma o autor antes citado, precisamos, e com urgência, afastar da nossa sociedade uma nova doença que poderá nos afetar: o masoquismo.


5 de julho de 2014

Mestrado e Doutorado agora têm FIES







Segundo notícias divulgadas na última semana os alunos de cursos de mestrado, doutorado e educação profissional de nível médio também poderão recorrer ao Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies, para pagar suas mensalidades. Até agora, só os alunos de graduação tinham o direito ao financiamento.


Nesta primeira fase, as instituições de ensino privadas interessadas em aderir ao Fies devem se inscrever. Só será aprovada a instituição de ensino que tiver cursos bem avaliados pelo MEC. Passada essa fase é que os estudantes interessados vão poder se inscrever. Contudo, o MEC ainda não tem ainda essa data fechada.

Cerca de 31 mil pessoas devem ser beneficiadas pela nova modalidade em mais de 600 programas de mestrado e doutorado. O financiamento não atenderá cursos de pós-graduação (especialização), nem de ensino a distância.

A Portaria Ministerial (Normativa) n. 15, de 1º de julho do corrente ano, estabelece que somente os cursos de Mestrado e de Doutorado recomendados pela Fundação de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) poderão se inscrever para permitir aos estudantes a concessão do financiamento.

Para os alunos dos cursos de educação profissional, a referida Portaria Ministerial estabelece que os mesmos precisam estar devidamente regularizados no Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (SISTEC) e avaliados pelos respectivos Conselhos Estaduais de Educação.

Veja a íntegra da Portaria no link abaixo.

Indubitavelmente é uma excelente notícia, especialmente para aqueles que pretendem dar continuidade aos seus estudos, realizando o mestrado e o doutorado. 

Prevalecendo as regras hoje estabelecidas pelo Fies e válidas para os cursos de graduação, ao fim do curso, já com o diploma na mão, o estudante tem 18 meses de período de carência para se reestruturar e se preparar para saldar as dívidas, que podem ser parceladas em até três vezes no período financiado do curso, acrescido de 12 meses.

O Fies hoje já atende mais 1,6 milhões de estudantes da graduação.

Quem possuir o auxílio pela Capes, Reuni ou por agência fomentadora estaduais não pode requisitar o FIES.

Os interessados devem ficar atentos, pois o Ministério vai definir data de abertura do programa e eventuais regras suplementares.



Fonte:
http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=30&data=02/07/2014

6 de junho de 2014

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        A crise moral, política e financeira que se abateu sobre o nosso país não nos dá a certeza de que já chegamos ao fundo do poço....