12 de outubro de 2010

Quem não cola não sai da escola

A nossa longa experiência como gestor educacional nos proporcionou vivenciar histórias inusitadas que passaremos a contar neste blog. A primeira da série, como diz o título, tem como atores principais um severo professor de Química e um aluno que cursava as séries iniciais de um curso de engenharia.

Omitiremos, por questão de ética, os nomes dos protagonistas, apesar do grande risco que corremos de a identidade do docente ser revelada para aqueles que conhecem a minha trajetória profissional. Não estamos preocupados com isso, na certeza de que a amizade que existe entre o citado professor e este bloguista nos autorizaria, até mesmo, a divulgar o seu nome.

Falamos que o Professor de Química era muito severo. Sua fama corria não só nos corredores da faculdade, como fora dela. Ele, com certeza, e ao contrário do que se possa pensar, prezava muito a imagem de “carrasco” que carregava.

Os alunos, por sua vez, já sabiam que para concluir o curso de engenharia naquela faculdade, seriam obrigados a sofrer nas mãos daquele professor. Outros, não menos exigentes existiam, mas aquele professor era, na visão dos alunos, muito especial.

Aos seus colegas docência o professor alardeava de que com ele o aluno não colava. Em parte ele tinha razão. O pavor era tal, que um atrevimento desses poderia custar alguns anos de dependência naquela disciplina. Portanto, por medo, a maioria dos alunos não se atrevia a colar com o referido mestre.

Mas como sempre acontece, uma das turmas foi premiada com a presença de um aluno com um dom de humor inusitado. E ele pregou uma peça no rigoroso professor de química, que passou a constar dos anais daquele curso.

Ocorreu numa das provas bimestrais. Naquele dia, como soe acontecer, a prova começou a ser realizada pelos alunos. Como de praxe, todos estavam sentados em suas respectivas carteiras e com os olhos fixos apenas para sua própria prova. O uso de qualquer material era expressamente vedado. Na carteira somente a folha de questões e de respostas e uma caneta. Todos os materiais já tinham sido deixados na frente da sala antes da prova começar.

Como de costume, o professor iniciava a prova de pé sobre a sua própria mesa de trabalho, onde a visão era quase total. Cada aluno que dirigia o seu olhar para ele sentia a sensação de que estava sendo observado pelo professor. Não raro era observar o rubor nas faces desses alunos.

Naquele dia, após descer da mesa, o citado professor começou a circular pela sala. Bem no fundo estava sentado o outro protagonista desta historia: aquele aluno com senso de humor apurado de que falamos.

Em dado momento, esse aluno começou de forma ostensiva abrir e fechar a sua mão esquerda, num gesto típico de que lá estava tendo o atrevimento de colar com aquele professor. Os colegas, ao seu lado, estavam todos apavorados. Mas ele não. Sua atitude continua foi agora deixando que o rubor da face dos alunos fosse transportado para a do professor.

Incontinenti a isso, o professor procurou circular até que conseguiu ficar postado estrategicamente bem atrás do aluno, a espera do momento certo para dar o seu bote. O aluno não se intimidou com a presença do professor e, mais uma vez, fez o gesto típico de abrir e fechar a sua mão. Neste momento, já visivelmente irritado com a petulância do aluno, o professor segurou firmemente a sua mão, naquele instante fechada, e pediu que ele ficasse em pé. Incontinente a isso o professor, em altos brados, ordenou que ele a abrisse as sua mãos. O aluno abriu e para surpresa de todos um som metálico pode ser ouvido: na mão do aluno, ao invés da cola imaginada não só pelo professor, como pelos demais alunos, estava uma medalha de Nossa Senhora Aparecida. O aluno, imediatamente, falou ao professor: - Mestre, o que seguro não é cola, mas a imagem da minha santa protetora.

Todos continuaram a prova, inclusive o aluno que a fazia com a proteção da sua santa. O Professor, embora sem graça, continuou com a sua natural postura na busca de alguma cola.

O fato, evidentemente, mereceu ampla divulgação nas rodas dos alunos e dos professores. O professor, pelo que se sabe, jamais mudou de postura e continua até hoje aterrorizando os seus alunos.
























Marina 2014

Mariana Silva (PV), detentora de quase 20 milhões de votos no primeiro turno das eleições presidenciais deste ano, já começou sua campanha para o pleito de 2014. Com esse objetivo já delineado, ao que tudo indica não irá declarar o seu apoio pessoal a qualquer um dos dois candidatos.

Na sua página do twitter e nas entrevistas dadas aos jornais, Marina sutilmente procura desqualificar Serra e Dilma, afirmando que ambos não transmitem aos eleitores suas “visões de país” e “escondem suas trajetórias”, numa clara demonstração de que está aproveitando a sua visibilidade atual rumo eleições de 2014.

Em declarações recentes ela afirmou que percebe nítida ansiedade nos candidatos e que ambos passaram para o “vale-tudo” eleitoral. Nesse sentido, indaga quando “a política com P. maiúsculo vai entrar em cena” para “tratar dos erros e dos novos desafios para o Brasil”. Após o último debate na TV fez críticas veladas aos dois candidatos afirmando que ambos “deveriam descer do ringue e subir no palanque” para tentar conquistar os votos que ela recebeu.

Desta forma, Marina Silva procura com elegância e imparcialidade atacar os seus adversários de primeiro turno, não comprometendo eventual apoio que o seu partido ou ela pessoalmente ainda possam dar a um dos candidatos, da mesma forma que, sutilmente, prepara o terreno para sua eventual candidatura em 2014.

Se por um lado Marina está correta ao afirmar que mais de 20 milhões de brasileiros estão ainda indecisos em quem votar, por outro somente o tempo irá demonstrar se o eleitor não vai esquecer as sementes que ela plantou no atual momento político da nação brasileira.

Concluímos citando Érico Veríssimo:

“O tempo faz a gente esquecer. Há pessoas que esquecem depressa. Outras apenas fingem que não se lembram mais”.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/813061-marina-diz-que-serra-e-dilma-continuam-a-apostar-no-vale-tudo-eleitoral.shtml

10 de outubro de 2010

Somos alvos de chacota por mérito

O brasileiro sempre gostou de fazer piadas com os seus irmãos portugueses. Para muitos isso se deve pelo fato de o português ser mais literal e que os dois povos têm lógicas diferentes. Uma análise superficial das piadas de que os brasileiros fazem dos portugueses realmente confirmam tal tese.

Todavia, começamos a verificar que de uns tempos para cá, os brasileiros começam a serem vítimas de piadas que os portugueses fazem, todavia, motivados por motivos bem diferentes.

A última tem relação direta com o fato de o nosso Congresso Nacional ter aprovado um projeto de lei que foi sancionado pelo Presidente da República – Lei n. 12.034/2009. Decorrido um tempo, movido por interesses eleitorais, esta lei deixa de sutir os seus efeitos por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O julgamento do STF não declarou a lei inconstitucional (!!!), mas vedou que fosse exigida do eleitor a posse de dois documentos – título de eleitor e outro de identidade com voto – para votar!

Importante: a decisão ocorreu a três dias do primeiro turno.

Em razão disso, os nossos irmãos portugueses lançaram mais uma piada de brasileiro:

Dois portugueses se encontram. Um diz para o outro: - Conheces a última do brasileiro? - Não, qual é? Responde o outro. - Ora, “pois, é que os brasileiros podem votar com qualquer documento, menos com o Título de Eleitor”.

Não resta dúvida: os portugueses estão absolutamente certos.













9 de outubro de 2010

Homem morto trabalha por uma semana

Recebi um email curioso e reproduzo abaixo. Diz tratar-se de notícia veiculada no New York Times.

 
Vejam:

Os Gerentes de uma Editora estão tentando descobrir, porque ninguém notou que um dos seus empregados estava morto, sentado à sua mesa há CINCO DIAS.

George Turklebaum, 51 anos, que trabalhava como Verificador de Texto numa firma de Nova Iorque há 30 anos, sofreu um ataque cardíaco no andar onde trabalhava (open space, sem divisórias) com outros 23 funcionários.

Ele morreu tranquilamente na segunda-feira, mas ninguém notou até ao sábado seguinte pela manhã, quando um funcionário da limpeza o questionou, porque ainda estava a trabalhar no fim de semana.

O seu chefe, Elliot Wachiaski, disse: 'O George era sempre o primeiro a chegar todos os dias e o último a sair no final do expediente, ninguém achou estranho que ele estivesse na mesma posição o tempo todo e não dissesse nada.

Ele estava sempre envolvido no seu trabalho e fazia-o muito sozinho.'

A autópsia revelou que ele estava morto há cinco dias, depois de um ataque cardíaco.

A seguir as sugestões contidas no email, cuja autoria desconhecemos.

Sugestão:

De vez em quando acene para os seus colegas de trabalho. Certifique-se de que eles estão vivos e mostre que você também está!

Moral da História:

Não trabalhe demais. Ninguém nota mesmo….









6 de outubro de 2010

DIA MUNDIAL DOS PROFESSORES

A Rádio do Vaticano informa que 5 de outubro será consagrado com o “Dia mundial do professor” por deliberação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 2010 o tema de comemoração será a "Recuperação Começa com Professores".

Segundo a Rádio ONU, o objetivo da ação é homenagear docentes que atuam em áreas de desastres naturais, conflitos e outras crises. De acordo com a agência, os professores têm um papel vital na reconstrução social, econômica e intelectual.

Para a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, os professores são "construtores da paz", pois podem preparar o caminho para uma sociedade harmônica ao promoverem o respeito, a tolerância e a solidariedade.

Um dado importante e preocupante deve ser observado pela comunidade internacional. Em muitos países pobres e em desenvolvimento, faltam professores nas escolas. Segundo dados da Unesco, pelo menos mais 9 milhões de professores terão de ser contratados até 2015, em alguns países do mundo, para que se alcance a Meta do Milênio que estabelece a promoção de educação para todos. (ED).

Parabéns professores.

Fonte: http://www.oecumene.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=427815

5 de outubro de 2010

MEC torna mais rígidas regras para universidade

O ministro da Educação, Fernando Haddad, homologa hoje uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) que estabelece regras mais rígidas para que instituições de ensino superior tenham o status de universidade. Passam a ser exigidos pelo menos dois programas de doutorado e quatro de mestrado. As atuais universidades terão até 2016 para se adaptar - atualmente quase a metade delas não conta com esse requisito mínimo.

Segundo levantamento feito pelo Estado com base em dados da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes), das 187 universidades federais e particulares do País, 91 não têm os programas de pós-graduação exigidos pela nova norma. Delas, 12 são federais; as demais são instituições particulares.

A resolução não vale para entidades estaduais e municipais, que seguem leis específicas, mas representantes de universidades federais também contestam a validade da medida (mais informações nesta página).

São Paulo é o Estado com o maior número de universidades sem o novo nível mínimo obrigatório de pesquisa. São 24, todas particulares. No Sudeste, 43 das 80 universidades terão de se adaptar para não perder o título.

O Centro-Oeste é a região com situação mais confortável. Tem 14 universidades e apenas 4 delas ainda não têm os 2 doutorados e 4 mestrados. No Norte, o Amapá tem apenas uma universidade, a Universidade Federal do Amapá (Unifap), e ela ainda não atende a essa nova exigência, pois oferece apenas um curso de doutorado.

O "rebaixamento" para centros universitários ou faculdades tira da instituição parte de sua autonomia. "Nos anos 1980 e 1990, muita instituição virou universidade só em busca da autonomia, sem dar contrapartida em extensão e pesquisa. Dentro desse novo instrumento, muitas terão dificuldade de sobreviver como universidade", acredita o reitor da Universidade Nove de Julho (Uninove), Eduardo Storopoli, que classifica a medida do MEC como um "avanço na avaliação do ensino superior". "Uma universidade que está mal avaliada desde os anos 1990 pode cair até para faculdade", diz.

Muitas instituições de ensino particular, porém, não concordam com as novas regras e chegaram a entrar com recurso, que foi rejeitado pelo CNE. Roberto Covac, representante legal do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, que reúne faculdades, centros universitários e universidades, diz que o grupo argumentou que faltou diálogo com o setor. "Outro problema é que a regra é única para um País muito grande, com realidades muito diferentes", afirmou.

"Sem dúvida é uma conquista, amplamente discutida com a sociedade", diz Paulo Speller, presidente da Câmara de Educação Superior do CNE. "Temos um bom prazo para as universidades se adaptarem. Não acredito que teremos problema com descredenciamentos."

DIFERENÇAS

Faculdade

Instituto de ensino superior que precisa de aprovação do MEC para ampliar vagas ou cursos; seus diplomas têm de ser registrados por uma universidade.

Centro Universitário

Pode criar novos cursos e vagas sem pedir aprovação do MEC, mas não novas sedes. Não precisa realizar pesquisa.

Universidade

Instituição com autonomia para criar novos cursos, sedes, alterar número de vagas, expedir diplomas. Tem de oferecer ensino, pesquisa e extensão.

Novas obrigações

Para manter ou conseguir status de universidade, a instituição vai precisar ter, no mínimo, um terço do corpo docente de mestres ou doutores e um terço dos professores em regime de tempo integral; 60% dos cursos de graduação reconhecidos pelo MEC ou em processo de reconhecimento; oferta regular de quatro mestrados e dois doutorados reconhecidos pelo MEC.

Mudança causa polêmica com entidade federal

As novas regras para a concessão de status de universidade estão provocando uma polêmica legal com as entidades federais. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) diz ser a favor do texto, mas considera que ele será "inócuo" para as universidades federais. "Do ponto de vista do mérito da questão, é muito importante. Mas do ponto de vista legal, é difícil que ela atinja as federais", afirmou o secretário executivo da Andifes, Gustavo Balduíno. "A norma em si é uma contradição, porque a universidade é criada por lei como entidade jurídica, estabelecendo um reitor e a possibilidade de abrir concursos públicos", explicou o dirigente. "Nenhuma universidade é criada já com doutorado; isso é processo da evolução acadêmica."

A reportagem procurou o MEC para esclarecer o caso, mas recebeu informação de que a secretária de Educação Superior, Maria Paula Dallari Bucci, falaria sobre o tema apenas hoje, em entrevista coletiva.

De forma geral, as universidades federais investem em pesquisa e estão entre as que oferecem maior número de programas de pós-graduação reconhecidos. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por exemplo, têm 171 mestrados e doutorados, atrás apenas da Universidade de São Paulo (USP), que é estadual.

"Não precisamos de regras para impor que busquemos ter doutorados. Para todas as federais, quanto mais pesquisa, melhor", afirmou Balduíno. A maioria das universidades federais que ainda não cumprem as novas regras foi criada nos últimos cinco anos.

Fontes:
1- Luciana Alvarez, Fábio Mazzitelli / JORNAL DA TARDE - O Estado de S.Paulo, 5 de outubro de 2010;
2. http://www.cmconsultoria.com.br/vercmnews.php?codigo=47538




28 de setembro de 2010

Leitura obrigatória


A respeito das diversas tentativas de o Governo Lula censurar a imprensa, fato noticiado pelos grandes jornais e revistas, merece destaque especial o editorial do Estado de São Paulo, edição de domingo passado (26/09/2010) que mereceu o seguinte título “O mal a evitar”.

Para aqueles que não tiveram a oportunidade de ler, reproduzimos, na íntegra, o texto produzido:

“A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar”.

Os cidadãos brasileiros agradecem a postura do Estado de São Paulo na defesa de um dos mais sagrados direitos do homem: a liberdade de expressão.

Texto publicado na seção "Notas e Informações" da edição de 26/09/2010

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,editorial-o-mal-a-evitar,615255,0.htm

O candidato Tiririca


Tiririca já desponta nas pesquisas como um dos candidatos que deverá receber a maior votação em São Paulo na disputa por uma das vagas na Câmara Federal. Em decorrência disso, e de sua forma irreverente e jocosa de se apresentar nos programas eleitorais, ele tem sido alvo de inúmeras críticas e agora de investigações que têm por objetivo barrar a sua candidatura. O fenômeno Tiririca está, indubitavelmente, incomodando muita gente.

Já escrevemos neste blog que não temos procuração para defendê-lo e nem somos eleitores de Tiririca. Todavia, não podemos nos calar diante de uma injusta perseguição que a ele é feita, num universo de candidatos que a nosso ver possui igual ou pior qualificação para o desempenho do mandato de deputado federal.

Dentro desse contexto, os jornais noticiam agora que o Ministério Público pretende avaliar  a capacidade de escrita e de leitura do candidato, sob a alegação de que há indícios de que ele não atende tais requisitos. A nossa Constituição torna inelegível os analfabetos Apesar de legítima a pretensão, ela não nos parece oportuna agora que faltam apenas poucos dias para as eleições, inviabilizando, até mesmo, a retirada do número do candidato das urnas eletrônicas.

Sabe-se que Tiririca apresentou à Justiça Eleitoral um comprovante (declaração feita de próprio punho e assinada), de que não é analfabeto, e que foi aceita para o seu registro como candidato.

Assim, mesmo que concretizada sua impugnação, Tiririca poderá obter uma votação ainda mais expressiva. Além dos inúmeros eleitores que já conquistou, certamente outros devem votar nele em sinal de protesto, transformando-o em um fenômeno eleitoral ainda maior..

Desta forma, entendemos que a postura adotada pelo Ministério Público, é intempestiva, já que caberia à Justiça Eleitoral, na inscrição dos candidatos, realizar tal avaliação, sob pena de transformar eventuais candidatos desqualificados, em vítimas no olhar dos eleitores.

O Brasil está nu

A taxa recorde de popularidade do Presidente Lula (78,4%) e a provável eleição de Dilma Rousseff já no primeiro turno nos remetem a recordar da história contada pelo dinamarquês Hans Christian Andersen, na sua consagrada obra “A Nova Roupa do Imperador”.

Conta o autor que existiu um Rei que quis fazer uma roupa, mas exigia que fosse algo extraordinário. Dois alfaiates forasteiros se aproveitaram da situação e fingiram ter feito uma roupa, dizendo que se tratava de um tecido mágico e que “só as pessoas inteligentes poderiam ver.” Quando o alfaiate de sua confiança fez a “roupa mágica”, todos aqueles assessores foram convocados para ver o rei vestido. Só que eles já sabiam que só os inteligentes veriam aquele tecido. Quando o Rei apareceu, todos ficaram extasiados e bateram palmas. --Que roupa bonita! –diziam os assessores, para que o Rei ficasse contente. Num desfile pelas ruas, houve quem dissesse estar vendo a roupa, outros assumiram a ignorância e se disseram burros por não estarem vendo a roupa, e acreditaram tratar-se de um tecido mágico. Um garoto que não sabia do que se tratava, gritou no meio da multidão: - O Rei está nu! Foi quando a população acordou e viu que realmente o Rei estava nu e os assessores se esconderam deixando o enganado Rei ser vaiado pelas ruas.

Assim como na história que nos é contada por Andersem, o povo brasileiro acredita que o nosso país está também vestido com a melhor “roupa política”, quando na verdade ele está nu, ou seja, despido do mínimo necessário que poderia ter pela sua altíssima contribuição tributária que o cidadão brasileiro lhe dá.

Segundo Leoncio Arruda (1) a carga tributária brasileira já chegou a atingir 40,28% do PIB, o que transformados em dias representa 147 sete dias do ano, portanto, é como se estivéssemos apenas trabalhando para pagar impostos. Isto também poderia ser visto em relação à semana, numa semana de seis dias trabalhados, praticamente 2,5 dias seriam destinados ao governo, ou seja de segunda até aproximadamente a metade da quarta feira se estaria trabalhando para recolher os seus impostos. A conta também poder ser feita em dias no caso supondo trabalhar-se 7h e vinte minutos por dia, praticamente três horas por dia se trabalha para sustentar a carga tributária paga ao governo.

Atualmente no México os cidadãos trabalham 91 dias e na Argentina 97 dias para dar conta da sua carga tributária, algo bem menor que os 147 dias por aqui trabalhados, ou seja, um mexicano trabalha 58 dias a menos que um brasileiro, e um argentino 50 dias a menos por ano para pagar seus impostos, o que significa que têm a sua disposição mais recursos para sua sustentação.

A comparação também pode ser feita com a maior economia do mundo, a norte americana,.Por lá se trabalha em torno de 102 dias, ou seja, aproximadamente 3,5 meses, ainda assim 45 dias a menos que no Brasil, portanto, por aqui quase 1,5 mês a mais.

O Brasil é o país com a carga tributária mais elevada entre os países em desenvolvimento da América do Sul e dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). Se a gestão de recursos públicos fosse mais eficiente, não precisaríamos de uma carga tão grande. Fato é que o Brasil arrecada como um País de primeiro mundo, mas retorna para a população como um país de terceiro mundo.

Vejamos.

Ao assumir o governo em 2003, o nosso presidente Lula afirmou que acabava de receber uma herança maldita de seus antecessores. Uma dívida pública de R$892,94 bilhões. A verdade é que ele deixará para quem sucedê-lo, uma dívida de R$1,73 trilhões. Ou seja, quase o dobro do que recebeu.

O aparelhamento do Estado, ou seja, o número de servidores contratados passou de 63 mil quando Lula assumiu a Presidência para 549 mil em 2009. Não temos os dados de 2010, mas certamente haverá um aumento significativo.

A par disso, o endividamento pessoal de cada brasileiro bateu recorde. Márcia De Chiara divulgou em 15/2/2010, no jornal O Estado de São Paulo, que “entre cartões de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, empréstimos para compra de veículos, imóveis - incluindo os recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) -, a dívida das famílias atingiu no fim do ano passado R$ 555 bilhões. O valor é quase 40% da renda anual da população, que engloba a massa nacional de rendimentos do trabalho e os benefícios pagos pela Previdência Social”. Quando Lula assumiu em 2003, eram precisos dois meses de salários para que o brasileiro pagasse sua dívida. Hoje, ele precisa quase cinco meses para quitá-la. Mais que dobrou.

O famoso PAC – Plano de Aceleração do Crescimento -, cuja mãe é a candidata Dilma Rousseff, segundo levantamento feito possui metade das suas obras ainda no papel. E o que é pior, o Nordeste brasileiro é a região em que menos se realizou obras.

A imprensa internacional destaca que o Brasil é um país que tem tudo para alcançar um grande desenvolvimento. Todavia, problemas como o trânsito, as favelas, a precariedade dos aeroportos e estradas, e a deficiência no tratamento de água e esgoto estão atrapalhando o seu futuro brilhante. Tal afirmação consta de uma série de reportagens produzidas para um caderno especial sobre a infraestrutura nacional, publicado pelo jornal britânico Financial Times.

Comparado a outros vinte países, Brasil ocupa a 17ª posição no quesito qualidade geral da infraestrutura, o que o coloca como um dos piores do mundo. Tais informações fazem parte de um estudo da LCA Consultores, cuja fonte foi o relatório de competitividade 2009/2010 do Fórum Econômico Mundial, em Genebra, na Suíça. A avaliação é feita por empresários e especialistas de cada nação. No Brasil, 181 questionários foram respondidos. A má qualidade de estradas, portos, ferrovias e aeroportos brasileiros não chegam a ser novidade. Mas faltava uma comparação internacional que desse uma noção mais clara de como o país está atrasado, afirma a reportagem da Veja Economia, de 8 de agosto de 2010.

Na área educacional também não se verificou qualquer resultado significativo. O IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, de 2009 demonstrou que a situação das escolas brasileiras é péssima. Apesar de muitos municípios e escolas terem recebido do Ministério da Educação prioridade em investimentos e ações, essa ajuda extra em nada ajudou, pelo contrário, os índices pioraram. Se não há investimentos e ações para que se consiga uma melhora no ensino básico, o resto do sistema fica prejudicado e nem precisa ser analisado. Em razão disso, o governo se vê obrigado a lançar de estratégias para permitir a inclusão de jovens no ensino superior: bolsas de estudos, cotas, são algumas delas, mas que na verdade são medidas paliativas que devem ser substituídas por ações de melhoria da qualidade.

Nas avaliações internacionais, o estudante brasileiro é considerado um analfabeto funcional: sabe ler as palavras, mas não consegue interpretar um texto.

Da mesma forma a criminalidade aumentou significativamente em nosso país. Os dados do Mapa da Violência 2010 (nota 1), divulgado nesta terça-feira (30/03/10), mostram que, de 2002 a 2007, o Brasil registrou um crescimento espetacular no número de assassinatos em quase todo o País. Para o diretor executivo do INSTITUTO SOU INCAPAZ, o espetáculo do crescimento da criminalidade na era LULA é fruto da vasta incompetência do Governo Federal: “Esse é um fator que demanda bastante atenção, porque não só é grave a falta de competência desse governo, mas também ajuda a evidenciar a cara-de-pau dos aloprados do PT. A população nordestina deve agradecer ao poder executivo federal pelo aumento de assassinatos na era LULA”, afirma.

O consumo de drogas também aumentou em nosso país. Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas da UNODC (agência da ONU para drogas e crime), o Brasil é o maior mercado consumidor de cocaína na América do Sul. O citado relatório mostra que a produção e o consumo das principais drogas estão em queda em todo mundo, mas em crescimento em certos países dentre os quais desponta o nosso Brasil.

Não bastasse tudo isso, o aumento dos casos de corrupção do país teve um salto alarmante.

Mas se todos esses dados estão absolutamente comprovados, resta-nos indagar de como é constituído o “tecido mágico” que veste 80% da população brasileira?

Em primeiríssimo lugar está o fato de que parte da mídia que não se deixou manipular pelas altas verbas publicitárias do Estado, e que por isso veiculou tudo o que quis, cometeu um grande erro não em divulgar os erros de natureza política do nosso presidente, mas sim ao reforçar a sua imagem de homem simples e odiado pelos ricos. Tal fato é bem retratado por Luís Bustamante, no seu blog PáGINA CULTURAL, quando ele afirma que tais críticas, de fundo demofóbico, contribuíram muito para aumentar a popularidade de Lula. E o fato que Bustamante descreve em seu blog é bastante elucidativo: “Uma das fotos de Lula que, para mim, terá maior força simbólica, no futuro, foi feita por um paparazzi na Praia de Inena, Bahia, onde o presidente passou o último reveillon com a família. Nela, Lula aparece ao lado de Mariza, de chinelo, bermuda e camiseta cavada, carregando uma caixa de isopor na cabeça, certamente cheia de latinhas de cerveja. A foto foi reproduzida pelos jornais e revistas que citei anteriormente, para escárnio, acompanhada de comentários sobre a breguice farofeira e o suposto destempero alcoólico do presidente, na ingênua suposição de que, assim, contribuiriam para o seu desgaste. Contudo, o efeito sobre a popularidade de Lula foi o oposto: todos os que fazem churrasco no final de semana, acompanhados de suas caixas de isopor, sentiram-se confortados ao ver que ‘um de nós’ está lá, na presidência da República”.

Além disso, inegável foi e é o efeito da bolsa família, auxílio gás, bolsa alimentação, sistemas de cotas e outras tantas benesses que são distribuídas para uma grande parcela da população brasileira, como também a possibilidade de comprar o tão sonhado carro ou um eletrodoméstico em 60 ou 80 parcelas, mesmo que seu rendimento mensal não suporte tais dispêndios e os levem a um endividamento pessoal impagável.

As eleições de outubro próximo é a oportunidade que é dada a cada um dos brasileiros para decidir se deseja que o nosso país continue com a roupa confeccionada com o “tecido mágico”, que lhe dá como afirma Juana Inês de Lá Cruz “A mais brilhante das aparências, para cobrir as mais vulgares realidades”, ou compramos uma nova dentre as opções que nos são ofertadas.

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Notas:

1. http://www.segs.com.br/index.php,

2. http://paginacultural.com.br/artigos/a-popularidade-de-lula/

3 - http://www.institutosangari.org.br/mapadaviolencia/


4 - http://www.vanguardapopular.com.br/portal/noticias/141-3.













 





24 de setembro de 2010

O "Manifesto em Defesa da Democracia" – uma luz no fundo do poço.

A iniciativa de alguns juristas, cientistas políticos e intelectuais de lançar um manifesto em defesa da liberdade de imprensa e pela democracia é um sinal de que a sociedade brasileira começa reagir contra aqueles que imaginam que a alta popularidade alcançada pelo Presidente da República lhe dá o direito de calar aqueles que não se calam diante das ameaças dos valores e princípios fundamentais do regime democrático.

Miguel Reali Júnior, um dos quatro ex-ministros da Justiça que assinaram o referido documento, salientou que “Estamos em um momento perigoso, à beira de uma ditadura populista”. Também consta como subscritores o jurista Hélio Bicudo, Fundador do PT; o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, os cientistas políticos Leôncio Martins Rodrigues, José Arthur Gianotti, José Alvaro Moisés e Lourdes Sola; o poeta Ferreira Goulart; o arcebispo emérito de São Paulo dom Paulo Evaristo Arns; os historiadores Marco Antonio Villa e Boris Fausto; o embaixador e ex-ministro Celso Lafer e os atores Carlos Vereza, Mauro Mendonça e Rosamaria Murtinho dentre outros.

Dentre as várias manifestações merece destaque também a que foi feita por Hélio Bicudo de que a "Nossa democracia está apenas no papel, ela não é efetiva". Deve ser salientado que além de ser um dos fundadores do PT, Bicudo foi vice-prefeito de São Paulo na gestão Marta Suplicy (2001-2004).

Segundo o site Eleições 2010 da Globo.com a idéia do manifesto surgiu após o Presidente Lula ter afirmado em Campinas, num comício de Dilma, que “além dos tucanos, serão derrotados alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não tem coragem de dizer que são partido político". A Associação Nacional de Jornais (ANJ) imediatamente divulgou nota em que classifica as declarações de Lula como "lamentáveis" e "preocupantes”.

Apesar de o movimento ter sido integrado deflagrado por um grupo de advogados, juristas e professores universitários que vinham se reunindo no sentido de ajudar a oposição a ter um programa específico no campo jurídico, no bojo da manifestação há questões que deveriam ter recebido a adesão de outros segmentos da sociedade.

Desta forma, estranha-se que a OAB, que sempre se postou na linha de frente em todos os movimentos na defesa do Estado Democrático de Direito, não tenha da mesma forma levantado a bandeira em defesa da liberdade de imprensa e da democracia. Da mesma forma, tem sido tímida a participação das entidades representativas dos jornalistas e dos meios de comunicação, que ultimamente têm sido seriamente ameaçados na sua liberdade de informar.

Além das ameaças à imprensa outro aspecto focalizado pelos manifestantes é a tentativa de o governo tentar de todas as formas extirpar a oposição.

Segue na íntegra o “Manifesto em Defesa da Democracia”.

“Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano. Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo”.

“Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático”.

“É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais’.

“É inaceitável que militantes partidários tenham convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos”.

“É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle”.

“É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em valorizar a honestidade”.

“É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há ‘depois do expediente’ para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no ‘outro’ um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia, mas um inimigo que tem de ser eliminado”.

“É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses’.

“É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo”.

“É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É deplorável que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário”.

“Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo”.

“Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade”.

“Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.”

O manifesto está lançado. Cabe a cada um dos brasileiros o direito de escolher o melhor caminho para o nosso país.

Concluímos com uma frase contida no poema que a cantora Ana Carolina leu recentemente em uma de suas apresentações disse". Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!".



FONTES:

http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/09/leia-integra-do-manifesto-pela-democracia-lancado-em-sp.html

http://www.youtube.com/watch?v=03qln0920mk



CONTRADIÇÃO: RESTRINGE-SE A LIBERDADE INDIVIDUAL E NÃO COMBATE-SE O CRIME

Tem sido aprovada em várias cidades do Brasil uma lei que restringe o uso de aparelhos celulares no interior dos estabelecimentos bancários. A medida visa coibir assaltos a clientes que após efetivaram saques são abordados na rua por criminosos que foram devidamente orientados por comparsas do interior do banco. Tal prática (crime) já tem até um nome figurativo “saidinha de banco”.

Não resta a menor dúvida que a medida visa resguardar o cidadão vítima desse tipo de crime. Todavia a medida é mais um paliativo que além de restringir um direito individual demonstra bem que o Estado brasileiro não promove ações adequadas para efetivamente coibir a prática do crime.

A semelhança do Estatuto do Desarmamento (Lei Federal n. 10826, de 22 de dezembro de 2003, regulamentada pelo Decreto 5.123, de 1º de julho de 2004) que proibiu a comercialização de armas para o cidadão comum, mas não impediu que via contrabando os criminosos adquiram armas poderosas, a lei que irá proibir o uso de celulares em banco não vai impedir que os criminosos utilizem outros recursos para roubar suas vítimas.

Em conclusão podemos afirmar que a edição dessa lei não passa de mero discurso do governo para esconder a sua incompetência no combate à violência e de mascarar as verdadeiras causas que transformam o crime em uma opção atraente para aqueles vitimados por uma desigualdade social cada vez maior.





Já chegamos ao fundo do poço?

        A crise moral, política e financeira que se abateu sobre o nosso país não nos dá a certeza de que já chegamos ao fundo do poço....