24 de setembro de 2011

PRESIDENTE PRUDENTE/ REGIÃO E A GUERRA FISCAL DOS ESTADOS





Presidente Prudente, e boa parte das outras cidades do Oeste Paulista são afetadas pela guerra fiscal do(ICMS), motivando a transferência de indústrias da região para outros Estados.

Trata-se de uma questão que está sem solução já faz muito tempo.

Trazemos para os nossos leitores a opinião de um dos mais festejados tributaristas brasileiro, Ives Gandra Silva Martins, advogado, Professor emérito de diversas universidades e articulista de renome internacional, publicado no site Carta Forense.

Para leitura do referido artigo acesse o link abaixo (nota 1):


Nota

(1)

http://www.cartaforense.com.br/Materia.aspx?id=7594&__akacao=581376&__akcnt=ccf81c0a&__akvkey=1be3&utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=NJDS
(2)

Ives Gandra da Silva Martins (São Paulo, 12 de fevereiro de 1935) é um advogado tributarista, professor e prestigiado jurista brasileiro.
 
Atualmente é o presidente do Centro de Extensão Universitária, professor emérito da Universidade Mackenzie e professor honoris causa do Centro Universitário FIEO.
 
Membro da Academia Paulista de Letras, do Instituto dos Advogados de São Paulo, da Ordem dos Advogados, secção de São Paulo, conselheiro vitalício do São Paulo Futebol Clube e ex-presidente do Conselho Consultivo do São Paulo Futebol Clube.

Ives Gandra foi um dos primeiros brasileiros a ingressar na Opus Dei. Sendo seu principal supernumerário no Brasil, é considerado o seu porta-voz mais influente na política naciona e costuma escrever artigos apologistas da prelazia

Foi biografado em um documentário em 2005 por José Sales Neto, com direção do advogado Luís Carlos Gomes e participação especial da escritora Lygia Fagundes Telles, do maestro João Carlos Martins e do poeta Paulo Bomfim

Fonte Wikipédia Livre

TRADUZINDO O DIREITO


Você sabia que existe no Direito brasileiro um princípio chamado de ANTERIORIDADE NONAGESIMAL?

Sim, ele existe, e está previsto na nossa Constituição Federal e diz que a variação de alguns impostos, inclusive o IPI, só pode vigorar após 90 dias após a publicação de lei ou decreto que o estabeça.

Por esse princípio muitas empresas importadoras e fabricante de carros importados estão obtendo na justiça o direito de vender os seus carros sem a incidência maior do IPI recentemente adotado pelo governo brasileiro.

O governo brasileiro não pensou nisso ao estabelecer o referido aumento, dispondo que ele só entraria em vigor após 90 dias após a publicação do ato que o estabeleceu?

Falha imperdoável que a justiça está começando a corrigir.

Cidadania & Educação: ENSINO SUPERIOR - DIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL

Cidadania & Educação: ENSINO SUPERIOR - DIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL: Hoje o ensino superior brasileiro promove um grande evento nacional que deve reunir instituições de ensino superior (IES) ...

ENSINO SUPERIOR - DIA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL


Ensino Responsável







Hoje o ensino superior brasileiro promove um grande evento nacional que deve reunir instituições de ensino superior (IES) de todo o Brasil, num só dia, para organizar uma mostra de ações resultantes de projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos ao longo de todo o ano.

O evento é organizado pela Associação Brasileiras de Mantenedoras do Ensino Particular (ABMES) e outroga aos participantes um selo para ser exibido nos seus site:


Ensino Responsável


Internet – Fábrica de sonhos ou de pesadelos



Google Images


O resultado de uma pesquisa realizada recentemente pela Cisco (empresa de tecnologia) com jovens até 30 anos revela que a internet “passou a ser tão necessária quanto água, comida e moradia” em 14 países.
E mais, “no Brasil, 3 em cada 5 estudantes e jovens profissionais fizeram essa afirmação. Entre um carro e a internet, eles também dão mais importância à rede. Além disso, 72% dos universitários brasileiros disseram que preferem navegar na internet a namorar, ouvir música e sair com os amigos”.
Finalmente, “essa ênfase na internet se repetiu entre universitários de países como China (59%), Espanha (54%) e Índia (54%). Somente na França o namoro prevaleceu na dianteira das opções, com 54%. No campo profissional, 75% da geração Y brasileira diz não viver sem internet. Para esse grupo, mais importante que o contato físico é estar conectado o tempo todo nas redes sociais.
A pesquisa, na verdade, não traz nenhuma novidade. Todos já sabem que os jovens passam hoje a maior parte do seu tempo conectado na rede mundial. O que fazem, no entanto, é o que deveria ser estudado, eis que a internet oferece muitos caminhos a serem percorridos e, dentre eles, muitos de relevância e até mesmo considerados imprescindíveis para a formação dos jovens.
A pesquisa informa que os jovens preferem navegar na internet a namorar, ouvir música a sair com os amigos, mas não sinaliza o que efetivamente acessam, e isso é que seria fundamental.
Ao viver exclusivamente no mundo virtual, o jovem de hoje vai perdendo gradativamente o contato com a sociedade, contrariando a própria natureza do ser humano (ser social por excelência), tornando-se um “eremita”.
Especialistas apontam o uso imoderado da internet como um vício, igual ao álcool, drogas, cigarro e outros. Suas conseqüências é fazer com que o indivíduo passe a sofrer de solidão e, em fase mais aguda, de depressão, síndrome do pânico e transtorno bipolar.
Vejo, por outro lado, que um dos grandes responsáveis por tudo isso são os próprios pais. Desde a mais tenra idade o jovem de hoje já é incentivado a lidar com computadores, sendo suas habilidades destacadas. Outros preferem ver os seus filhos em casa, trancados em seus quartos, mas em segurança, do que o convivendo com outras pessoas fora do lar.
Se não podemos deixar que nossos filhos deixem de ter contato com a tecnologia hoje disponível, por outro lado, precisamos encontrar  o ponto equilíbrio do tempo que será gasto em cada uma das diversas atividades que eles precisam desenvolver.
É uma questão difícil, mas sempre possível de ser resolvida: buscar sonhos ou pesadelos na internet é uma questão de opção.
Fonte:
Folha On Line
Publicada no Portal da CM Consultoria

23 de setembro de 2011

Aviso-Prévio de 90 dias vale para casos anteriores segundo Ministro do STF





Recentemente postamos nesse blog que o aviso prédio de 90 dias já havia sido aprovado pelo Congresso Nacional e estava nas mãos da presidente Dilma para sanção.

Na oportunidade trouxemos duas opiniões conflitantes sobre se esse direito seria retroativo ou não. Para o presidente da Câmara Federal ele não seria retroativo, mas para as centrais sindicais sim.

Agora é o Supremo Tribunal Federal (STF) quem se posiciona sobre o assunto e a fvor da retroatividade.

Veja:

Ministro do STF diz que aviso prévio maior poderá valer para casos anteriores
Mesmo após a aprovação pelo Congresso de critérios sobre o aviso prévio, o STF vai ter que se reunir para decidir se as novas regras vão valer para quem foi demitido antes de a lei entrar em vigor.

"Nós vamos ter que deliberar sobre os casos das pessoas que se sentiram prejudicadas e trouxeram o tema num mandado de injunção que estamos julgando", afirmou o ministro Gilmar Mendes, referindo-se ao tipo de ação que foi utilizada por trabalhadores para levar o caso ao STF.

Pela lei que foi aprovada, o aviso prévio será de, no mínimo, 30 e, no máximo, 90 dias. Ele será aumentado, contando três dias para cada ano trabalhado. Antes da aprovação, todas as empresas aplicavam o prazo de 30 dias.

O problema é que a Constituição estabeleceu esses 30 dias como mínimo e ainda estabeleceu que o aviso prévio deve ser proporcional ao tempo de serviço. Mas desde 1988, os parlamentares não definiam quais os critérios dessa proporcionalidade. Mendes considerou positivo o fato de o Congresso ter, finalmente, aprovado lei sobre o assunto, estabelecendo os critérios.

"Agora, o Congresso deliberou e ele tem a legitimidade democrática integral para fazê-lo" - afirmou o ministro. "O nosso desejo sempre é que o Congresso faça" - completou, referindo-se à necessidade de que Câmara e Senado criem e aprovem normas previstas pela Constituição de 1988.

Fonte:
www.espacovital.com.br

DE GAULLE TINHA RAZÃO: NÃO SOMOS UM PAÍS SÉRIO



Imagem blog do Juca Kfouri - A genial solução da ministra



A ministra Miriam Belchior (Planejamento) sugeriu nesta segunda-feira que eventuais problemas de mobilidade nas cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014 sejam resolvidos com feriados.

Como disse Juca Kfouri no seu blog:

"A genial solução da ministra"



E cada dia sou obrigado a concordar com De Gaulle:


"O Brasil não é um país sério"

Vamos aplaudir gente.

APOSENTADORIA - UM ESTUDO INTERESSANTE

Google Imagem - Meramente ilustrativa



Os fundos de pensão em muitas grandes empresas (por exemplo, a Boeing, Lockheed Martin, a AT & T, Lucent Technologies, etc) foram beneficiados, porque muitos que se aposentaram tarde e que continuaram trabalhando em sua velhice, dormindo tarde, após a idade de 65, morreram dois anos após a sua aposentadoria. Em outras palavras, muitos destes aposentados não viveram tempo suficiente para receber em benefícios as suas contribuições ao fundo de pensão, de tal forma que deixaram um superávit financeiro não utilizado nos fundos de pensão, para financimento de terceiros.
O Dr. Efrém (Siao Chung) Cheng coletou resultados importantes no quadro 1 a partir de um estudo atuarial da expectativa de vida versus a idade de aposentadoria. O estudo foi baseado no número de cheques de pensão enviados aos aposentados da Boeing Aerospace

Tabela 1 - Estudo Atuarial do tempo de vida versus a idade de aposentadoria

Idade na Aposentadoria                     Idade mediana dos óbitos

49.9                                                 86

51.2                                                 85.3

52.5                                                 84.6

53.8                                                 83.9

55.1                                                 83.2

56.4                                                 82.5

57.2                                                 81.4

58.3                                                 80

59.2                                                 78.5

60.1                                                 76.8

61                                                    74.5

62.1                                                 71.8

63.1                                                 69.3

64.1                                                 67.9

65.2                                                 66.8  



A Tabela 1 indica que para os reformados com a idade de 50 anos, sua expectativa de vida média é de 86, e que para os reformados com a idade de 65 anos, sua expectativa de vida média é de apenas 66,8. Uma conclusão importante deste estudo é que a cada ano se trabalha para além dos 55 anos, perde-se 2 anos de vida útil, em média.
A experiência Boeing é que os funcionários se aposentando em 65 anos de idade recebem cheques de pensão para apenas 18 meses, em média, antes da morte. Da mesma forma, a experiência Lockheed é que os funcionários que se aposentaram com 65 anos de idade recebem cheques de pensão por apenas 17 meses, em média, antes da morte. O Dr. David T. Chai indicou que na Bell Labs a experiência é similar às da Boeing e Lockheed, baseada na observação casual do Newsletters de aposentados da Bell Lab. Um aposentado da Ford Motor disse ao Dr. Paul Lin Tien-Ho que a experiência da Ford Motor também é semelhante aos dos Boeing e Lockheed.
As estatísticas mostradas no Seminário de Pré-Aposentadoria na Telcordia (Bellcore) indicam que a idade média de aposentadoria de seus empregados começa a partir de 57 anos e que as pessoas que se aposentam na idade de 65 anos ou mais são minoria em comparação aos demais.
Os que trabalham até tarde, provavelmente, colocam muito estresse no envelhecimento do corpo e da mente, de tal forma que eles desenvolvem vários problemas de saúde graves e morrem dentro de dois anos depois que se aposentam.
Por outro lado, pessoas que tomam aposentadorias precoces na idade de 55 tendem a viver muito e bem em seus anos 80 e além. Estes aposentados anteriormente provavelmente são ou de situação fiananceira estável ou com maior capacidade de planejar e gerir outros aspectos de sua vida, saúde e carreira, de tal forma que eles podem dar ao luxo de se aposentar mais cedo e confortável.
Estes aposentados precoces não estão realmente em marcha lenta, mas continuam fazendo algum trabalho. A diferença é que eles têm o luxo de escolher os tipos de trabalho de tempo parcial e o fazem num ritmo mais prazeroso, para que não fiquem muito estressados.
Os que se aposentam muito tarde são em pequeno número e tendem a morrer rapidamente após a aposentadoria. Eles são minoria na estatística de expectativa de vida média da população de "velhos", dominada pelos que se aposentam mais cedo.
A maioria dos japoneses se aposentam com a idade de 60 anos ou menos e isto pode ser um dos fatores que contribuem para o longo período médio de vida do povo idoso japonês. 4. Conclusão e Recomendações O melhor período criativo e inovador da vida profissional é a partir da idade de 32 e dura aproximadamente 10 anos. Planeje sua carreira para usar esse período precioso, sábia e eficazmente, para produzir suas maiores realizações na vida.
O ritmo de inovações e avanços da tecnologia está ficando cada vez mais rápido e está forçando todos a competir ferozmente com a velocidade da informação na Internet. O local de trabalho, altamente produtivo e eficiente nos EUA é uma panela de pressão e um campo de batalha de alta velocidade, ideal para a capacidade altamente criativa e dinâmica dos jovens dispostos a competir e prosperar. 
No entanto, quando você envelhece, você deve planejar sua carreira e situação financeira para que você possa se aposentar confortavelmente com a idade de 55 ou mais cedo, a fim de desfrutar do seu tempo de vida saudável, com felicidade e estabilidade, com uma expectativa além dos 80 anos. Na aposentadoria, você ainda pode desfrutar de um trabalho divertido, de grande interesse para você e de grandes valores para a sociedade e para a comunidade, mas num ritmo prazeroso, num tempo parcial e em seu próprio termo e ritmo.
Por outro lado, se você não for capaz de sair da panela de pressão ou do campo de batalha da alta velocidade com a idade de 55 e "ter" que continuar a trabalhar muito duro até a idade de 65 anos ou mais, antes de sua aposentadoria, então você provavelmente vai aproveitar muito pouco sua aposentadoria. Trabalhando muito duro na panela de pressão por mais 10 anos além da idade de 55 anos, você desistirá de pelo menos 20 anos de sua vida útil, em média.

Crédito:
Recebi por e-mail de Ubirajara Dias Viegas - com a mensagem de repassar para todos os amigos. O faço por meio do meu blog.

22 de setembro de 2011

Aviso-Prévio de 90 dias. Você que foi demitido pode ter direito?



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Depois de uma pressão do Supremo Tribunal Federal (STF), a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que concede ao trabalhador o direito de receber aviso-prévio de até 90 dias, ou seja,  proporcional ao seu tempo de serviço, conforme estabelece a Constituição Federal.

O projeto já tinha sido aprovado pelo Senado e agora vai à sanção da presidente Dilma.

Se sancionado pela presidência, o trabalhador terá direito a um acréscimo de 3 dias para cada ano trabalhado, passando a ter o aviso-prévio de 90 dias após completar 20 anos de serviço.

A questão que vai ensejar muita discussão na justiça é sobre a retroatividade ou não desse direito.

Para o presidente da Câmara Federal o direito não é retroativo, para os sindicatos ele retroagirá, de vez que o trabalhador tem dois anos para reclamar qualquer direito trabalhista.

A dúvida está colocada na mesa de discussão.

Leia mais sobre o assunto em:


O conceito de amizade em Aristóteles





Maria Regina Ponte da Silva[1]

“Depende de nós praticarmos atos nobres ou vis; e se é isso que se entende por ser bom ou mal, então depende de nós sermos virtuosos ou viciosos.”
Aristóteles.

Em seu livro Ética à Nicômaco, Aristóteles estabelece um tratado das virtudes humanas. As virtudes se dividem em intelectuais ou dianoéticas e as virtudes morais, que podem ser aprendidas através do hábito.

A razão prática ou a ética em Aristóteles possui uma finalidade imprescindível, na medida em que ela serve de fio condutor que dá acesso à Felicidade. É por isso que a Ética de Aristóteles é teleológica, ou seja, também conhecida como doutrina do eudamonismo, pois nossas atitudes devem buscar a felicidade através de ações virtuosas.

A virtude aristotélica consiste no esmero esforço do equilíbrio entre os vícios da falta e do excesso. Em posição de destaque se encontra a amizade, como virtude necessária no compartilhamento da felicidade.

A AMIZADE

A amizade é, pois uma virtude extremamente necessária à vida. Mesmo que possuamos diversos bens, riqueza, saúde, poder, ainda assim, não será suficiente para nossa realização plena, pois nos falta a essencial e indispensável amizade. Na ética aristotélica, quanto mais influência e poder manipular um homem mais necessidade ele terá de ter amigos. A justiça e a amizade possuem os mesmos fins, mas considera-se a amizade superior a justiça, pois a justiça é utilizada para contornar nossos atos em relação ao próximo que não conhecemos. Com os nossos amigos não precisamos de justiça, pois a natureza da amizade nos é completa, como mais autêntica forma de justiça.

De acordo com a proporção da faixa etária de cada indivíduo, a amizade apresentará uma função específica. Para os jovens ela ajuda a evitar o erro, para os mais velhos serve de amparo para as suas necessidades e suprime as atividades que declinam com o passar dos anos, porque dois que andam juntos são mais capazes de agir e pensar.

Sua utilidade se estende ainda mais, ela mantém cidades unidas, pois assegura a unanimidade e repele o faccionismo. Por conta disso, afirma Aristóteles:

A amizade não é apenas necessária, mas também nobre, pois louvamos os homens que amam os seus amigos e considera-se que uma das coisas mais nobres é ter muitos amigos. Ademais pensamos que a bondade e a amizade encontram-se na mesma pessoa.[2]

A condição necessária e basilar para se formar uma amizade se dá pelo conhecimento de uma a outra pessoa que desejam entre si reciprocamente o bem. Assim como a condição específica para ser objeto de amor é ter um caráter bom, agradável e útil.

Acrescenta Aristóteles que deve existir mais de uma forma de amizade, neste sentido apresenta três espécies de objetos de amor: o que é bom, ou o agradável, ou útil.

Destes três objetos nascem três espécies de amizade. Encontra-se em situação de superioridade aquela que é motivada pelo bem, pois é duradoura. Enquanto a agradável está relacionada aos jovens e a terceira parece existir principalmente entre as pessoas idosas, pois nesta idade buscam não o agradável, mas o útil. Nestes tipos de amizades as pessoas buscam seus próprios interesses para terem alguém que lhes proporcionem prazer ou alguma utilidade. Não ama o amigo por ele mesmo, mas na medida em que ele pode proporcionar algum bem, utiliza a amizade para conseguir outra coisa, de modo que o amigo é tido como um meio; não como um fim. O verdadeiro amigo quer as coisas para as pessoas a quem ele ama, o amigo por acidente as quer para si.

Segundo Aristóteles, o requisito essencial para a amizade é “a consciência, a qual só é possível se duas pessoas são agradáveis e gostem das mesmas coisas”. Entretanto, se a ausência é demorada parece provocar o esquecimento da amizade.

A amizade perfeita é aquela que existe entre homens que são bons e semelhantes na virtude, ou seja, há a reciprocidade de caráter e de objetivos, conseqüentemente portará a tendência de ser perene. Sua exigência peculiar resume-se em tempo e intimidade e a verdadeira amizade é invulnerável a calúnia.

Há uma outra espécie de amizade que envolve a desigualdade entre as partes, por exemplo, a amizade entre pai e filho, entre velho e jovem, entre marido e mulher, e em geral a amizade entre quem manda e quem obedece. Como tornar proporcional a amizade entre os desiguais?

São consideradas amizades acidentais aquelas que se fundamentam no interesse derivada do amor a utilidade e não ao outro por si mesmo, assim elas são facilmente capazes de se fragmentarem quando uma das partes cessa de ser agradável ou útil, pois existia apenas como um meio para se chegar a um fim.

Já que a igualdade é característica essencial da amizade e que ela exerce os mesmos atos também na justiça, aquele que for melhor para com o outro deverá receber mais amor, para que assim estabeleça-se a proporção.

Por outro lado, ser amado é algo bom em si mesmo, e por isso parece ser melhor ser amado que receber honras, conseqüentemente a amizade parece ser desejável por si mesma. Mas a natureza da amizade consiste muito mais em amar do que ser amado, por exemplo, o amor de uma mãe pelo seu filho. É dessa maneira que pessoas desiguais podem ser amigas, sendo possível a igualdade entre eles. Desta forma, a amizade que se forma entre contrários visa à utilidade.

Em resumo, podemos concluir a partir de Aristóteles que:

Podemos dizer que amar assemelha-se à atividade, e ser amado à passividade: amar e ter várias formas de sentimentos amistosos são atributos dos homens mais ativos.[3]

1. A amizade x benevolência

A amizade pode cessar quando a reciprocidade de interesses é desvinculada. Esses fatos ocorrem quando o amante ama o amado visando o prazer, e o amado a utilidade, e nenhum deles possuem as qualidades que deles se espera. Ou seja, nenhum deles amava o outro por si mesmo à vista que suas qualidades não eram duradouras.

Nesse sentido, os desentendimentos ocorrem quando o que as pessoas obtêm é algo diferente daquilo que desejam.

Enquanto a amizade envolve a intimidade, a benevolência pode surgir subitamente, como acontece com os adversários em uma competição. Assim, ela pode ser o início de uma amizade. , do mesmo modo que o prazer o prazer com os olhos é o início do amor. Logo, podemos se aproximam por sentir benevolência uma para com a outra, na medida em que o tempo trará a intimidade para ratificar o amor.

Assim, afirma Aristóteles:

Por uma extensão da palavra amizade, poderíamos dizer que a benevolência é a amizade inativa, não obstante, quando se prolonga e chega ao ponto da intimidade, ela passa a ser amizade verdadeira. Mas não se trata da amizade baseada na utilidade ou no prazer, pois a benevolência não se manifesta em tais condições.[4]

A reta razão

A reta razão é justamente o caráter deliberativo da alma que nos dirige as virtudes, que nada mais são que o meio-termo entre os extremos. Para explicar a natureza da reta razão, Aristóteles inicia o livro VI afirmando que a alma se divide em duas partes: uma racional e outra não racional.

A racional se divide em outras duas partes: a científica[5], que contempla as coisas imutáveis, não sendo esta objeto de deliberação: e a calculativa, que se ocupa das coisas mutáveis, sendo objeto de deliberação. A virtude da primeira será a sabedoria filosófica e a da segunda a sabedoria prática.

Dentre as três coisas que controlam a ação e a verdade na alma temos: a sensação, o pensamento e o desejo. A primeira não é princípio de qualquer ação refletida, mas o desejo está ligado à reta razão. Assim, a escolha só será boa se o desejo for guiado pelo reto raciocínio.

A razão predomina sobre o desejo:

O caráter deliberativo encontra-se na inteligência prática, pois nos responde se o nosso desejo é bom ou não. Se for bom, a escolha deverá ser feita, pois houve concordância entre a razão e o desejo (a razão aprovou o desejo). Mas quando a razão conclui que tal desejo nos prejudica, então não deveremos escolher, pois embora o tenhamos desejado, a razão o rejeitou como algo prejudicial. Nesse sentido, só será lícito conhecermos uma coisa que desejamos, depois que o raciocínio a examinar declarando-a boa.

O alcance da verdade na alma somente será encontrado através de cinco disposições: a arte (no sentido geral do conhecimento técnico), o conhecimento científico, a sabedoria prática, a sabedoria filosófica e a razão intuitiva.

A arte, para Aristóteles, é a capacidade de produzir, utilizando um conhecimento sobre a maneira de se fazer às coisas, mas não se remete ao agir. Seria uma ciência como um conhecimento demonstrativo do necessário e do eterno, podendo ser ensinado ou demonstrado pela indução.

“O conhecimento científico é o juízo acerca das coisas universais e necessárias”.

Já a sabedoria prática ou discernimento é a capacidade deliberação, como já mencionamos anteriormente, tendo no agir a sua finalidade.

O discernimento deve ser uma capacidade verdadeira e raciocinada de agir com respeito aos bens humanos. Ela é, portanto, a capacidade de pensar sobre as coisas de ordem prática, sobre a conduta do próprio homem e de agir conforme o raciocínio. Nesse sentido, o prazer e a dor podem interferir nos juízos de ordem prática.

Podemos dizer que a sabedoria filosófica é a união da inteligência e da ciência (que demonstram as coisas invariáveis) , segundo Aristóteles, ela é a mais perfeita forma de conhecimento… Enquanto a sabedoria prática se relaciona com as ações humanas, que são objetos de deliberação, às coisas particulares e variáveis que tenham uma finalidade específica dentro do mundo da ação. Portanto afirma Aristóteles:

E não é menos evidente que a escolha não será acertada sem a sabedoria prática, como também não sem a virtude, pois uma (a sabedoria prática) determina o fim e a outra nos leva a praticar ações que conduzem a esse fim[6].

Na verdade, o ideal seria possuir as duas, mas não sendo isso possível a sabedoria prática é preferível à outra, pois diz respeito à ação de nossa realidade imediata, prática indispensável ao caráter deliberativo e iminente.

CONCLUSÃO

Na verdade, não há teoria da vontade racional em Aristóteles, mas o que ele instituiu foi o conceito do desejo deliberado, ou seja, a filosofia do agir. A estreita ligação entre desejo e virtude faz com que se possa justificar uma das expressões com que se quis caracterizar globalmente a Ética Nicomaqueia: eudonismo racional.

A finalidade ultima desse eudonismo é a contemplação, Livro X. Por conta disso, não se pode conciliar plenamente a unidade da virtude com a multiplicidade das virtudes, porque cada uma é ao mesmo tempo o seu fim em si e meio para atingir a contemplação. Por outro lado, e ainda diferentemente de Platão, não se pode separar a vida ativa e a vida contemplativa. Participando do prazer eterno o filósofo, ao contemplar obedece à sua natureza racional, cumprindo, o mais completamente possível ao homem, o seu dever de ser feliz.

Mas a ética aristotélica passa ainda por outro pólo, a vida humana baseada nas relações intersubjetivas da amizade, como condição necessária e indispensável para uma vida feliz, devendo acompanhar todo o agir moral.

A importância de sua filosofia adquiriu influência no pensamento cristão. Como no caso de São Tomás de Aquino que no seu pensamento teológico, aproveita a sistematização do Estagirita. Bem como, no ocidente, do período clássico até o século XVIII e permanece até os nossos dias.

BIBLIOGRAFIA

  • ARISTÓTELES, Ética a Nicômano. Coleção obra-prima de cada autor.
  • ARISTOTE. Éthique a Nicomaque. Trad. J. Tricot. Paris: J. Vrin, 1994. (Librairie Philosophique J. Vrin).
  • ARISTOTE. La Politique. Trad. J. Tricot. Paris: J. Vrin, 1995. (Librairie Philosophique J. Vrin).
  • COMTE-SPONVILLE, André. Pequeno tratado das grades virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
  • FRONDIZI, Risieri. ¿Qué son los valores? Introducción a la axiología. 4a ed. México: Fondo de Cultura Económica, 1968.
  • GÜNTHER, Klaus. The Sense of Appropriateness. New York: State University of New York, 1993.
  • KOHLBERG, Lawrence. Psicologia del desarrollo moral. Bilbao: Desclée de Brouwer, 1992.
  • LEAR, Jonathan. Aristóteles. Madrid: Alianza, 1994.
  • REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. São Paulo: Loyola, 1994. vol. 5.
  • TRICOT, J. Notes. In ARISTOTE. Éthique a Nicomaque. Trad. J. Tricot. Paris: J. Vrin, 1994.
  • VAZ, Henrique Cláudio de Lima. Escritos de Filosofia II: Ética e Cultura. 2a ed. São Paulo: Loyola, 1993.
  • VIEHWEG, Theodor. Topik und Jurisprudenz. 5a Auf. München: C. H. Beck, 1974.





[1] [8] Ms em Filosofia pela UECE (Universidade Estadual do Ceará)

[2] [9] Aristóteles, Ética a Nicômaco, Martin Claret, p. 173

[3] [10]. Aristóteles. Ética a Nicômaco, Martin Claret, p.206

[4]. [11] Aristóteles. Ética a Nicômaco. Martin Claret. p.203

[5] [12] O conhecimento científico é um juízo das coisas universais e necessárias. Aristóteles, Ética a Nicômaco, Martin Claret, p. 133

[6] [13] Aristóteles, Ética a Nicômaco, Martin Claret, p. 144


Nota:

Recebi este artigo por e-mail que me foi encaminhado pelo leitor Djalma, Mogi das Cruzes, SP, com o título Café Filosófico.

Pai tô com fome




Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou:

- Pai, tô com fome!

O pai, Agenor, sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência...

- Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!

Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente.

Ao entrar dirige-se a um homem no balcão:

- Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois saí cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!

Amaro, o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho.

Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo.

Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua.

Para Agenor , uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá.

Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada.

A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades.

Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar:

- Ô Maria! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?!?!

Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer.

Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho.

Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas.

Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório.

Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada.

Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias.

Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho.

Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso.

Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores.

No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho.

Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque estava ajudando.

Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele

chamava-o para ajudar aquela pessoa.

E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres.


Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar.

Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta.

Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula.

Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros, advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro.


Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu primeiro terno.


Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida diariamente na hora do almoço.

Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho, o agora nutricionista Ricardo Baptista.

Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um.


Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido.

Ricardinho, o filho, mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai fundou com tanto carinho:

'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!'


Nota:
Recebi por e-mail de meu amigo Mauro Villanova, Presidente Vencesláu, SP.

Já chegamos ao fundo do poço?

        A crise moral, política e financeira que se abateu sobre o nosso país não nos dá a certeza de que já chegamos ao fundo do poço....