9 de junho de 2011

Eu me transformaria em petista de carteirinha


 
Muitos dos meus leitores devem ter estranhado o título desta postagem. Minhas convicções políticas jamais indicaram que eu poderia me transformar em um petista. Por isso, tentarei dar a explicação o mais rápido possível.


Vivemos nos últimos anos a consolidação da democracia em nosso país. Talvez, até por isso, ainda sofremos alguns percalços da imaturidade política, decorrente dos anos em que vivemos sob a égide de uma ditadura militar. Todavia, nada justifica a crescente onda de corrupção que assola o nosso país e a impunidade dos envolvidos.



Os fatos se repetem, e a sociedade não mais se abala com nada. Por sua vez, a classe política, especialmente a chamada oposição, se mostra cada vez menos preparada para mudar o destino político desta nação. O nosso Poder Legislativo deixa de fazer o que lhe compete – as leis -, se transformando em mero chancelador de Medidas Provisórias que são editadas pelo Poder Executivo. Da mesma forma, as vozes da oposição não ecoam na sociedade, e não têm sequer presença ativa na mídia. Poucos são aqueles veículos de comunicação que ainda se atrevem a fazer denúncias contra a corrupção.


Para o cientista político Mário Sérgio Lepre (fonte 1), da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), “como não tiveram origem em posicionamentos ideológicos concretos e não se enraizaram na sociedade como deveriam, os partidos políticos têm sofrido o reflexo dessa fragilidade histórica. Outro aspecto, segundo ele, é que os partidos no Brasil, com exceção do PT, sempre tiveram a luta política vinculada ao governo. Agora, na oposição, não sabem como agir. ‘O PT sempre bateu firme na tecla de ser contra e cresceu com isso, se distanciou da geleia geral de todos os partidos, que sempre foram governo e viveram do governismo’, afirma. ‘O papel que deveria ser de oposição não existe mais, porque todos os partidos só sabiam viver vinculados à máquina pública’. Agora, eles entendem que a vida de oposição é muito difícil quando o governo vai bem.”



O resultado disso, para Lepre, “é que a oposição de maneira geral não tem um discurso definido, apesar de haver espaços ideológicos a serem preenchidos. Ainda não caiu a ficha na oposição de que é preciso deixar claro o que a diferencia do governo, que ela tem sim algo diferente a propor. Por exemplo, bater na tecla de que pagamos impostos em excesso, mas os serviços públicos são ruins”.



Esse quadro poderia ser outro se o PT não tivesse assumido o comando desta nação. Na oposição, que é o seu lugar apropriado, ele já teria colocado um fim em tudo isso, como já fez em outras ocasiões no passado.



Por isso eu faço um apelo aos petistas: pelo bem do nosso país, voltem a ser apenas oposição, e eu me transformarei em militante de carteirinha.



Fonte:

 http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=1114853&tit=Oposicao-precisa-se-reinventar-para-ser-alternativa-ao-PT

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