30 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo


 
2010 terminou.

É hora de agradecer aos nossos leitores e deixar uma mensagem de feliz 2011.

A mensagem é feita por meio da receita de Ano Novo que nos foi legada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade.




O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.


O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais... mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?

Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem.

2010 foi um ano cheio.

Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal.

Às vezes se espera demais das pessoas. Normal.

A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.

2011 não vai ser diferente.

Mudou o século, milênio mudou, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e ai? Fazer o quê? Acabar com o seu dia? Com o seu bom humor? Com sua esperança? O que eu desejo para todos nós é sabedoria!

E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!

Que todos consigam perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...

Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para categoria 3, a dos amigos. Ou mude de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento, me lembro sempre de um lance que eu adoro:

CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.

Desejo pra todo mundo esse olhar especial. 2011 pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.

2011 pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular...

ou... Pode ser puro orgulho!

Depende de mim, de você!

Pode ser.

E que seja!!!

Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles.
UM ANO NOVO CHEIO DE MUDANÇAS!!!

Feliz 2011!!!

Nota:

Pequenas alterações no texto foram produzidas para atualizá-lo.
Imagem:
http://clickloco.com.br/i/feliz-ano-novo-8113.jpg










Aos meus amigos leitores

Os brasileiros merecem outro país em 2011




 
No link abaixo você caro leitor poderá saber como vivem os políticos na Suécia no momento em que os nossos, tão diferentes dos de lá, dão a si próprios, como presente de Natal, um aumento substancial em seus salários. Se não bastasse tudo isso, os outros benefícios recebidos pelos nossos políticos chegam a superar em quase cinco vezes o montante que eles percebem como salário, transformando as despesas do nosso Congresso Nacional em uma das mais elevadas do mundo. Vejam a nota abaixo, publicada no Globo opinião (1) o custo dos nossos parlamentares antes do aumento acima citado.

Indignados ficamos todos nós brasileiros. Mas a nossa cumplicidade fica evidenciada com a nossa omissão em reagir contra tudo isso, transformando nossa passividade em terreno fértil para que tudo continue na mesma.

O Brasil é hoje uma democracia sólida, na qual os direitos fundamentais do cidadão são respeitados e protegidos sob qualquer ameaça. Mas, o brasileiro, titular desses direitos, ainda não aprendeu as noções básicas de cidadania, permitindo que o poder, que deveria ser dirigido pelo povo e para o povo, seja manipulado do interesse de poucos.

O brasileiro apenas enxerga um dos lados da cidadania, aquele que lhe outorga direitos (à vida, direitos civis, políticos e sociais), mas esquece-se do outro lado, das obrigações que assume como parte integrante de um grupo social ou de uma nação, nos quais deve dar a sua parcela de contribuição, pois como dizia Abraham Lincoln, ex-presidente dos EUA, “É possível enganar todas as pessoas por algum tempo, ou enganar algumas pessoas por toda a vida, mas não é possível enganar a todas as pessoas para sempre".

Ao findar 2010, queremos que o belo exemplo da Suécia sirva de alerta para cada um de nós, pois o Brasil merece destino melhor.

Feliz 2011 Brasil.

Acesse o link:


Notas:

Um estudo da ONG Transparência Brasil, realizado antes do aumento agora a eles concedido, aponta que o custo de cada parlamentar do Congresso brasileiro é de 2.068 salários mínimos (R$ 785.840) por ano. No Senado, gastamos 6 bilhões de reais por ano. O peso do nosso Congresso no bolso do contribuinte é maior do que em países de Primeiro Mundo, como Itália e França. Se pudéssemos reduzir o custo do Senado pela metade, teríamos três bilhões de reais extras nos cofres públicos, que poderiam ter um destino mais nobre, em vez de bancar regalias de congressistas, muitos destes que só aparecem para votar.

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/11/03/um-congresso-com-preco-de-realeza-922937358.asp

imagem: 

http://2.bp.blogspot.com/_xglgkQw_8iM/SwXg23APVVI/AAAAAAAABlM/w_iQORz0Z2U/s1600/bandeira-do-brasil.jpg




28 de dezembro de 2010

Exame de Ordem: já chegou a hora de o Poder Judiciário dar a palavra final.


O ingresso nos quadros da OAB por bacharéis de Direito só é permitido àqueles que se submetem a um exame e são aprovados. Desde que foi instituído tal exame tem sido contestado judicialmente, não tendo sido, ainda, proferida uma decisão que ponha um ponto final na questão.

A cada edição daquele exame surgem questionamentos sobre a legitimidade do procedimento adotado pela OAB, e novas decisões liminares são concedidas para permitir o ingresso de bacharéis nos quadros da OAB sem a obrigação de realizar o exame. Cria-se uma situação que fere o princípio da isonomia previsto no nosso texto constitucional.

Em recente caso, dois bacharéis obtiveram liminar que garantiram suas inscrições nos quadros da OAB sem a necessidade de serem sumetidos e aprovados no exame. A liminar concedida será ainda objeto de julgamento do Pleno do Tribunal Federal a que pertence o Desembargador que a concedeu. Antes mesmo que isso viesse acontecer, a OAB recorreu ao Superior Tribunal Federal (STJ), que por sua  vez  deixou de analisar o pedido remetendo-o ao STF.

Por se tratar de matéria constitucional, cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF), decidir em última instância, segundo entendimento do STJ.

Os bacharéis que obtiveram a liminar favorável já realizaram os seus pedidos de inscrição junto à OAB, e essa deverá efetivá-las, pois nem o Pleno do Tribunal Federal e nem o STF devem julgar a questão antes do prazo que aquele Conselho tem para cumprir a decisão judicial.

Diante disso, espera-se que o STF decida com a máxima urgência a questão, colocando um ponto final (pá de cal) nessa novela que já se arrasta por anos.

Entendemos que o Exame de Ordem não fere qualquer dispositivo da nossa Constituição, eis que o Art. 5o, XIII, estabelece que é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Uma lei federal estabelece que para ingressar nos quadros da OAB, o bacharel em Direito deve se submeter ao exame.

Há, todavia, alguns juristas, dentre os quais citamos Fernando Machado da Silva Lima (1), que defendem a inconstitucionalidade da exigência de tal exame, argumentando que  Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Ordem), em seu art. 8º, exigiu, para a inscrição do bacharel na Ordem dos Advogados, a aprovação em Exame de Ordem. Disse, ainda, no §1º desse artigo, que o Exame de Ordem seria regulamentado pelo Conselho Federal da OAB. Esses dispositivos são inconstitucionais, tanto formal como materialmente.

Para ele, o Exame de Ordem não foi criado por lei, mas por um Provimento do Conselho Federal da OAB. Evidentemente, apenas a Lei poderia estabelecer as qualificações necessárias ao exercício profissional, conforme previsto pela Constituição Federal, em seu art. 5º, XIII. Além disso, o Conselho Federal da OAB não tem competência para regulamentar as leis, como pode ser observado pela simples leitura do art. 84, IV, da Constituição Federal. De acordo com esse dispositivo, compete privativamente ao Presidente da República regulamentar as leis, para a sua fiel execução. Assim, a Lei nº 8.906/94 é também inconstitucional, neste ponto, porque não poderia atribuir ao Conselho Federal da OAB a competência para regulamentar o Exame de Ordem. Consequentemente, o Provimento nº 109/2.005, do Conselho Federal da OAB, que atualmente dispõe sobre o Exame de Ordem, é inconstitucional. Trata-se, no caso, especificamente, de uma inconstitucionalidade formal, porque não compete ao Conselho Federal da OAB o poder de regulamentar as leis federais. Ressalte-se que essa inconstitucionalidade, que prejudica os bacharéis reprovados no exame de ordem, atinge direito fundamental, constante do "catálogo" imutável (cláusula pétrea) do art. 5º da Constituição Federal, com fundamento, tão-somente, em um Provimento (ato administrativo), editado pelo Conselho Federal da OAB. Como se sabe, nem mesmo uma Emenda Constitucional poderia ser tendente a abolir uma cláusula pétrea (Constituição Federal, art. 60, §4º).

E você caro leitor, qual é o seu entendimento sobre a questão? Comente.



Fontes:

 (1)- Fernando Machado da Silva Lima














Como conseguir uma bolsa de estudos no ensino superior



O final do ano está chegando e muitos alunos começam a disputar as poucas vagas disponibilizadas pelas instituições públicas ou escolherem um curso de qualidade nas diversas instituições privadas, nas quais o ingresso é quase certo, em face do grande número de vagas oferecidas.

Diante dessas duas opções, certo é que o ingresso do aluno em uma instituição privada estará sempre condicionado a possibilidade de ele possuir recursos financeiros para arcar com os custos das mensalidades ou ser beneficiado por um dos programas de bolsas de estudos que são oferecidos pelo poder público ou pela própria instituição que estudará.

Dentre os programas oferecidos pelo Poder Público se destaca o PROUNI – Programa Universidade para Todos -, mantido pelo governo federal, por meio do qual o aluno poderá ser beneficiado com bolsas de 25%, 50% e 100%.

Tal programa concede às instituições de ensino participantes a isenção de impostos, devendo cada uma delas, de acordo com a natureza jurídica da sua mantenedora (com fins lucrativos, sem fins lucrativos e as chamadas de filantrópicas) oferecer um percentual de bolsas compatível com o número de alunos pagantes.

Por sua vez, o aluno precisa preencher determinados requisitos exigidos pelo programa para concorrer às vagas que forem oferecidas.

O preenchimento das vagas pelos alunos inscritos se dá em duas etapas, ocorrendo duas chamadas. Isso ocorre pelo fato de que o aluno pode se inscrever em mais de uma instituição, o que permite a abertura de uma segunda seleção (segunda chamada), para preenchimento das vagas remanescentes.

Diante do exposto, verifica-se que muitas vezes as instituições são obrigadas a realizar contatos com os alunos inscritos no PROUNI, para que o seu percentual de vagas seja atingido, sob pena de ela perder os benefícios da isenção de impostos. Tal fato demonstra existir grande possibilidade de obtenção da bolsa por todos aqueles que possuem o perfil exigido.

Aos interessados aconselhamos acessar a página do PROUNI (ver nota 1) para a obtenção de todas as informações pertinentes a esse programa de bolsa de estudos.

Também mantido pelo governo federal o FIES – Programa de Financiamento Estudantil -, tem por objetivo financiar o valor integral das mensalidades pagas pelos alunos. Mesmo que ele já tenha sido contemplado com uma bolsa parcial de qualquer outro programa, o aluno poderá, por meio do FIES, financiar o restante. As informações sobre como obter o financiamento poderão ser obtidas no site constante no rodapé deste post (ver nota 2).

Além dessas bolsas, alguns Estados federados possuem programas próprios de concessão de bolsas. Exemplo disso é a oferecida pelo Estado de São Paulo, denominada o Programa Escola da Família que garante ao estudante 100% de gratuidade no curso de graduação, sendo que 50% da mensalidade, limitada ao teto de R$ 267,00/mês e renovável semestralmente, é paga pelo Estado e o restante é financiado pela própria faculdade.

Os universitários contemplados com a bolsa têm o compromisso de contribuir para o crescimento da comunidade local, participando de projetos pedagógicos em escolas públicas. Quando formados terão no currículo uma preciosa experiência profissional, enriquecida por valores como a responsabilidade social e participação comunitária.

No Estado de Goiás as bolsas são oferecidas por meio da Organização das Voluntárias de Goiás e são destinadas aos estudantes que não têm condições de pagar o seu curso superior.Há um exame seletivo e os candidatos para se inscreverem devem atender os requisitos estabelecidos. Há um limite do valor a ser pago como bolsa de estudos e os beneficiados deverão da mesma forma realizar serviços comunitários em órgãos governamentais, sempre compatíveis com a formação que recebe do curso em que está matriculado.

O aluno que está prestes a ingressar em um curso superior e não conseguiu obter vaga em uma instituição pública, poderá obter uma bolsa de estudos em uma particular, bastando que procure as informações nos sites que foram disponibilizados neste post.

Além das bolsas oferecidas pelo Poder Público, muitas instituições criam sistemas próprios de concessão de bolsas ou financiamento para aqueles alunos que têm dificuldade de pagar os seus estudos. Para isso, os alunos interessados devem entrar em contato com a instituição do seu interesse para saber se existe algum programa que atenda o seu interesse.

Como a concorrência entre instituições privadas está cada vez mais acentuada e é muito grande o índice de inadimplência dos alunos muitas instituições particulares criaram o seu programa próprio de bolsas de estudos e financiamentos. Às vezes são concedidos descontos e bolsas para aqueles que prestam serviços comunitários ou para a própria instituição.

É importante salientar que por força do dissídio coletivo dos professores e dos funcionários, os seus filhos e/ou dependentes têm o direito à bolsa de estudos.

Recomendamos que o aluno entre em contato com a instituição para obter as informações necessárias.

O site da Universia Brasil também disponibiliza informações sobre bolsas de estudos (4).

Terminamos com uma frase de Herculano;

“É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os”.


Fontes:

1. PROUNI

http://www.mec.gov.br/prouni/

2. FIES

www.mec.gov.br.

3. Programa Escola da Família - SP

http://escoladafamilia.fde.sp.gov.br/v2/default.html

4. Organização das Voluntárias de Goiás

http://www.ovg.org.br/

5. UNIVERSIA BRASIL

www.universiabrasil.com.br
6. Imagem:
http://3.bp.blogspot.com/_-QWAMsfNfFc/SrfezDUVHJI/AAAAAAAAAbI/J8i-




























































27 de dezembro de 2010

Próstata – Entrevista do maior urologista do Brasil - Você precisa saber






 
Recebi por e-mail um texto contendo uma entrevista dada por Miguel Srougi, que é considerado um dos maiores urologista do Brasil.

O texto merece ser lido e o reproduzo em meu blog.

O urologista, que cuida da saúde do "PIB" brasileiro, fala sobre os principais temores masculinos, como problemas na próstata, disfunções sexuais e decadência física. Não tem nem o que questionar: quando se fala em urologia, e principalmente em saúde masculina, primeiro nome da agenda e da confiança dos principais políticos, empresários e brasileiros em geral é o do médico Miguel Srougi. Considerado o número 1 do Brasil em Cirurgias de câncer de próstata (já realizou 2.900), atende em seu consultório gente como o presidente Lula, José Alencar, José Serra, Geraldo Alckmin, Joseph Safra, Lázaro Brandão, Abílio Diniz e Antônio Ermírio de Moraes, entre outros pesos pesados.

Professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, pós-graduado pela Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos, 35 anos de carreira, uma dezena de livros publicados e outra centena de artigos espalhados mundo afora, Srougi tem a simplicidade daqueles que muito sabem, pouco ostentam e continuam lutando.

Ele se dedica integralmente ao que faz - trabalha todos os dias, das 7 da manhã às 10 da noite -, abriu mão da vida pessoal - é casado, pai de dois filhos - e não tem receio de dizer que se envolve demais com seus pacientes. "Sofro muito e esse sofrimento é um dos fatores de sucesso da minha carreira, porque acabo me entregando mais aos doentes." Embora viva intensamente entre os limites das dores da perda e alegrias dos resgates da vida, Srougi, aos 60 anos, se abastece lecionando na Faculdade de Medicina, "uma de minhas razões existenciais".

No ano passado inaugurou um moderno centro de ensino e pesquisa para seus alunos, garimpando verbas junto aos seus pacientes poderosos. A sala ganhou o nome de Vicky Safra, mulher de Joseph Safra - em homenagem ao banqueiro que doou a maior parte dos recursos. Nesta entrevista, o maior especialista em câncer de próstata do país afirma que "todo homem nasce programado para ter a doença" e que, se viver até os 100 anos, inevitavelmente vai contraí- la.

Fala ainda sobre medos, fantasmas masculinos, impotência, novos tratamentos e seus sonhos pessoais. E conta por que trocou o Hospital Sírio-Libanês pelo Oswaldo Cruz depois de 30 anos. A seguir, os principais trechos.

ASSOMBROS MASCULINOS

Os homens têm uma certa sensação de invulnerabilidade - isso faz parte da cabeça deles. Passam boa parte da sua vida livre de todos os incômodos que a mulher tem, fazendo com que relaxem mais com a sua saúde. Com o passar dos anos, começam a perceber a sua vulnerabilidade e passam a dar um pouco mais de valor aos cuidados médicos.

O que mais os atemoriza hoje? Problemas com a próstata, disfunções sexuais e a decadência física, que mexe muito com a cabeça das mulheres, mas também com a deles. As mulheres pautam muito a vida em função da beleza e os homens, da força, da virilidade, da capacidade de agir, raciocinar.

E na hora em que surgem falhas nessas áreas, ele percebe que, talvez, não seja aquele ser imortal que achava que fosse.

ENVELHECIMENTO

Há dois profundos temores hoje nos homens: o primeiro é o crescimento benigno da próstata, um fenômeno que ocorre em praticamente todos eles: ela aumenta de tamanho depois dos 40 anos e, dessa forma, o canal da uretra fica ocluído.

Isso faz com que o homem comece a urinar sucessivas vezes, a não ficar em uma reunião prolongada, tem de levantar à noite, prejudica o sono, acorda mal, pode ter descontroles de urina.

O crescimento benigno é quase inexorável: todos os homens vão ter em maior ou menor grau - felizmente, apenas um terço, 30%, tem sintomas mais significativos que exigem apoio médico.

Nesses casos, há medicações que desobstruem parcialmente a uretra e fazem o indivíduo urinar e viver melhor; apenas de 4% a 5% dos homens têm de fazer uma cirurgia para desobstruir a uretra por causa desse crescimento benigno.

Essa é uma cirurgia, que se faz com segurança e sem os inconvenientes de uma cirurgia maior nos casos de câncer. Ela remove apenas o fator obstrutivo, o homem passa a viver melhor e sem nenhuma seqüela. Esse crescimento não tem causa conhecida, surge por um desequilíbrio hormonal no homem maduro, ou seja, as células da próstata passam a se proliferar em decorrência dos hormônios. Não tem como prevenir. Existem algumas medidas, mas nenhuma consistente.

OBESOS E FUMANTES

Existe a idéia de que o obeso e os fumantes teriam menos crescimento benigno da próstata. O que é interessante é que a próstata seria o único lugar no organismo que eles deixam de ter todas as desvantagens, mas a realidade é meio dura: recentemente se apurou que eles são menos operados da próstata, mas não porque ela não cresce, mas pelo receio dos médicos de operá-los porque complicam mais e também porque muitas vezes não vivem o suficiente para ser operados - morrem antes. É uma realidade perversa.

REALIDADE NUA E CRUA

O câncer na próstata adquire maior relevância porque tem uma grande prevalência: 18% dos homens - um em cada seis - manifestarão a doença. E também porque o tumor, que ocorre com muita freqüência dentro da próstata, é eliminado com sucesso em 80%, 90% dos homens. Se esse tumor não é identificado no momento certo e se expande, saindo para fora da próstata, as chances de cura caem para 30%.

É um tumor muito comum e se for detectado a tempo, tem como resgatar esse paciente.

Dos 18%, somente 3% morrem - a medicina consegue curar 15% dos homens,ou seja, a maioria. Mas vale dizer que todo homem nasce programado para ter câncer de próstata.

Ou seja, nós temos, nas nossas células, genes que as estimulam a virar cancerosas e eles ficam bloqueados durante a nossa existência. Quando o indivíduo envelhece, esses mecanismos de bloqueio deixam de exercer o seu papel e o câncer começa a se manifestar. Com isso vai aumentando a freqüência da doença e todo homem que chegar aos 100 anos vai ter câncer de próstata.

SEM FANTASIA

O exame de toque - um dos meios de se detectar a doença - gera na cabeça dos homens fantasias negativas e receios, mas, na verdade, eles tem muito medo da dor. Tanto é que os que fazem pela primeira vez, no ano seguinte perdem o medo. Leva três ou quatro segundos e não dói. Então, um dos fatores de resistência é eliminado. Existe um segundo sentimento, que é muito forte: expressar, exteriorizar uma fraqueza se a doença for descoberta.

O homem tem pavor disso porque, de acordo com todas as idéias evolucionistas, só vão sobreviver aqueles que forem fortes. É comum você descobrir um câncer no indivíduo, e ele entrar em pânico, não pela doença, mas porque as pessoas vão descobri-la. Porque o câncer é muito relacionado com morte, decadência física, perda da independência, dependência dos outros. O homem não aceita essa idéia, e prefere fechar os olhos e enfiar a cabeça debaixo da terra a enfrentar, mostrando para o mundo e às pessoas que ele é um ser mais fraco.

Isso vai afetar a imagem dele, acha que vai perder poder sobre outras pessoas, porque ninguém obedece a um fraco, alguém que vai morrer.

Isso vai contra a idéia que temos de ser mais fortes para sobreviver.

A PERFORMANCE DO ROBÔ

Estamos fazendo cirurgias com robô, que permite uma visão muito mais precisa do campo cirúrgico, elimina os tremores da mão do cirurgião, permite incisões pequenas, uma operação muito mais perfeita porque os movimentos dele são muito suaves. Isso é muito novo no Brasil. Fiz o primeiro caso há dois meses, no Sírio-Libanês. E agora, o Albert Einstein tem e o Oswaldo Cruz está adquirindo.

Nos Estados Unidos se faz cirurgia robótica em larga escala. Lá, o robô ganha em performance do cirurgião médio, mas ele ainda perde do habilitado.

Tenho mais de 2.900 pacientes operados de câncer de próstata pessoalmente. Eu sou o terceiro cirurgião do mundo nesse quesito - só perco para dois americanos e eles estão parando de trabalhar. Apesar de ter essa grande experiência, quando comecei a operar, 35% ficavam com incontinência urinária grave. Agora são só 3%. Impotentes, todos também ficavam. Hoje, se o homem tem menos de 55 anos, a incidência é de 20% - antes era 100%.

Há também enxertos de nervos, porque a impotência se deve à remoção de dois nervos que passam perto da próstata e nós estamos fazendo esse enxerto quando somos obrigados a retirá-los nos casos em que o tumor fica grudado. Entre os pacientes que fizeram os enxertos, metade voltou a ter ereções com o tempo.

IMPOTÊNCIA, O QUE FAZER?

Esses novos remédios para tratar a disfunção sexual contornam 1/3 da impotência, tanto após a cirurgia quanto depois da radioterapia. Se os comprimidos não atuarem, existem injeções.

Há ainda próteses penianas que são muito desenvolvidas e produzem uma ereção que quase não tem nenhuma diferença em relação à normal.

Isso permite que o homem reassuma a vida sexual plenamente e que as mulheres tenham muita satisfação. Os homens ficam extremamente felizes - são hastes colocadas dentro do pênis. Não fica marca, nem cicatriz.

Nos Estados Unidos, entrevistaram as mulheres sobre os homens que tinham prótese e as respostas foram positivas. Ela funciona muito bem.

O PAPEL DAS MULHERES

Os homens são resistentes: eles relutam muito em ir ao médico fazer um exame de próstata e só vão quando a mulher os empurra: dois terços dos pacientes no consultório de Miguel Srougi são trazidos por elas.

"Ligam para marcar a consulta, os acompanham. A gente não vê mulheres jovens trazendo homens jovens para fazer exames. A gente vê mulheres maduras. Claro que o jovem não está na faixa de risco. Mas existe um outro significado da importância da mulher. Primeiro, que ela é pragmática e incentiva o marido." Mas, por que ela quer isso? "Porque quem ficou vivendo bem 30 anos e conseguiu superar todos os embates da vida conjugal é um casal que o tempo consolidou. E aí a mulher tem um sentido de preservação da família muito mais forte que o do homem. Passadas as tempestades e oscilações do relacionamento, ela não quer que o marido morra. É real. Toda vez que tenho um paciente ofereço dois tratamentos: um que aumente a xistência dele, mas vai, por exemplo, causar alguma deficiência na área sexual.

E um outro, que cura menos, mas preserva melhor a parte sexual. O homem balança na decisão. A mulher nunca hesita. Ela prefere aquele que aumenta a existência, mesmo correndo o risco de comprometer a vida sexual dele e do casal. Poucas vezes vi uma mulher aconselhar um tratamento que dê menos chance de vida e aumente a possibilidade de ele ficar potente. Dá para contar nos dedos. Ela quer o companheiro, quer preservar aquela pirâmide que foi construída, que é rica."

SOFRIMENTOS E PRIVILÉGIOS

Eu me envolvo muito com meus pacientes. Sofro muito. E esse sofrimento é um dos fatores do sucesso da minha carreira, de 35 anos. Nesse sofrimento eu acabo me entregando mais e mais aos doentes. Isso é ruim, porque não tenho vida pessoal, minha vida familiar é feita nos intervalos. Felizmente, os momentos bons prevalecem sobre os ruins. É por isso que eu sobrevivo. Um doente que coloca a cabeça no meu ombro e agradece por ter feito algo por ele, ou deixa correr uma lágrima na minha frente, me faz deletar, superar aqueles momentos em que me senti totalmente impotente.

Uma das coisas importantes é o médico saber e demonstrar que a medicina não é infalível e ele não se sentir onipotente. O urologista tem um privilégio. O oncologista mexe com câncer avançado, já no fim do caminho - eu lido com o inicial. Eu consigo salvar muita gente. É um privilégio para mim.

MEDO DA SEPARAÇÃO

Nós não queremos morrer. Primeiro, pela incerteza do porvir. Segundo, porque a morte implica extinção e o ser humano não aceita a aniquilação. A nossa cabeça nasceu para ser imortal. A morte está relacionada com dor, sofrimento, à decadência física, à desfiguração, à perda do papel social, desamparo da família, perdas dos prazeres materiais, da independência. Mas a causa verdadeira é o nosso horror de nos separar das pessoas que amamos. Bem material não deixa ninguém feliz.

Há tanta gente rica se suicidando, tomando droga para sair da realidade. Os médicos não compreendem isso. Se as pessoas têm medo de se afastar das pessoas do seu entorno, você precisa tratar o entorno também. Não é o médico que apóia o doente nas fases difíceis - é a família.

Eles reagem raivosamente contra a família, querem afastá-la do processo, sem perceber que um doente só vai ter paz, tendo a morte pela frente ou não, se a família estiver ao lado.

A SAÍDA DO SÍRIO-LIBANÊS

Os verdadeiros templos na Terra são os hospitais - não as igrejas. Nas igrejas tem muito ouro, riqueza. Aqui não, você conhece o sofrimento, o valor da existência humana. Os orgulhosos e os soberbos ficam humildes, ricos e pobres são iguais; os ruins, os autoritários e os maldosos se tornam condescendentes: eles ficam despidos, tiram a máscara; é aqui que você conhece o que é viver, que resgata para a vida, não em uma igreja qualquer, que o sujeito entra lá, reza dez minutos e sai. Ele pode até sarar, cicatrizar a sua alma.

Mas aqui nós curamos a alma e o corpo. Esse é o verdadeiro templo, onde o ouro é a vida. Você entende o impacto que a desigualdade social tem sobre o ser humano, a pobreza, a falta de instrução causa doenças.

Depois de 30 anos no Sirio-Libanês eu mudei para o Oswaldo Cruz.

Achar que eu vou ter novas salas, três enfermeiras a mais, é brutalizar o que passou pela minha cabeça. Mudei porque não estava vendo esse lugar como um templo. Eu vivo intensamente, por isso tenho esses sentimentos.

UM POUCO DE FILOSOFIA

A melhor forma de se transmitir as virtudes é pelo exemplo, pela coerência.

Certa vez perguntaram para Sócrates como a virtude poderia ser transmitida - se pelas palavras ou conquistada pela prática. Ele não soube responder. Então, Aristóteles, depois de uns anos, respondeu: "A virtude só pode ser transmitida pela prática e por meio do exemplo". Aqui, eu posso tentar ser o exemplo. Mudando o cotidiano das pessoas, transformando a sociedade e construindo um novo mundo.

CINCO MEDIDAS PREVENTIVAS

Segundo Miguel Srougi, a prevenção ao câncer de próstata é feita de forma um pouco precária, porque não existem soluções para impedi-lo.

Na prática, há o licopeno, que é o pigmento que dá cor ao tomate, à melancia e à goiaba vermelha. "Talvez diminua em 30% a chance, mas esse dado é controvertido, por causa disso a gente incentiva os homens a comerem muito tomate, só que deve ser ingerido pós-fervura, ou seja, precisa ser molho de tomate. Não pode ser seco ou cru."

A vitamina E também reduz teoricamente os riscos em 30%, 40%. Mas, se for ingerida em grandes quantidades, produz problemas cardiovasculares. Na verdade, se o homem quiser se proteger, deve tomar uma cápsula de vitamina E por dia. Acima disso, não é recomendável.

O terceiro elemento é o Selênio, um mineral que existe na natureza e é importante para manter a estabilidade das células, impedindo que elas se degenerem, que é encontrado em grande quantidade na castanha-do-Pará.

"Qualquer homem pode ingerir em cápsulas, mas se ele comer duas castanhas por dia, recebe uma certa proteção", diz o especialista. Uma quarta medida é comer peixe, três porções por semana - rico em ômega3 e tem uma ação anticancerígena provável. E, uma quinta, tomar sol." O homem que toma muito sol sintetiza na pele vitamina D, que tem forte ação anticancerígena. É por isso que os homens da Califórnia desenvolvem muito menos a doença do que os de Boston", afirma Srougi.

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Chegamos ao fim de 2010 e a nossa educação não melhorou.



Mais um ano que termina e não temos nada a festejar em matéria de evolução do nosso sistema educacional. Dados estatísticos demonstram que metade da população brasileira não entende o que lê, sendo vergonhosos os resultados das avaliações internacionais a que são submetidos os estudantes brasileiros.

Os ensinos fundamentais e médios, especialmente mantidos pelo setor público, estão cada vez piores. A falta de investimentos na estrutura física e equipamentos, bem como a baixa remuneração dos professores são apontados como os principais fatores da decadência cada vez maior. As ações e os planos do governo não saem do papel, e a cada dia que passa torna-se cada vez mais difícil superar as barreiras que foram criadas.

No ensino superior o quadro é o mesmo. O baixo número de jovens que têm acesso, na sua maioria é recepcionado por instituições privadas, uma vez que são alijados pela formação que receberam das instituições públicas que frequentaram anteriormente. Aqueles que, ao contrário, em decorrência da condição financeira de suas famílias, puderam realizar os ensinos fundamental e médio em escolas particulares, conquistam as vagas nas universidades públicas. Apesar do sistema de cotas e das bolsas concedidas pelo governo federal, o ensino superior nas instituições públicas continua ainda elitizado.

Privatizar o ensino superior, como é feito em muitos países, e até na China comunista, não é sequer objeto de discussões no Brasil. Dessa forma, os menos favorecidos economicamente continuam fora do ensino superior, ou precisam arcar com o seu custo, enquanto aqueles pertencentes às classes sociais privilegiadas têm o privilegio de estudar nas melhores instituições e sem nada pagar.

Essa odiosa discriminação ainda persiste no Brasil. Privatizar o ensino superior, e investir pesado nos ensinos fundamental é médio é a única solução para reverter o eterno problema da educação brasileira.








25 de dezembro de 2010

Os envelopes de Natal, uma tradição que jamais morreu..





Os anos passam e, a cada ano, sempre no dia 25 de dezembro, me vem à mente uma cena inesquecível que marcou os nossos natais de antigamente.

Após o almoço, com toda a família reunida, meu Pai se posicionava estrategicamente para fazer a distribuição dos seus famosos envelopes. Sempre na cor branca, com os nomes escritos a mão, cada um daqueles envelopes continha uma parte do seu 13o salário. O valor da gratificação natalina que ele recebia, como funcionário público aposentado, era integralmente rateado em partes iguais, e em valores proporcionais para filhos, netos, afilhados e até bisnetos.

Para todos era um momento especial. Não pelo valor recebido, mas pelo gesto que virou uma tradição natalina tão diferente das praticadas em outros lares.

Em outro canto qualquer, minha Mãe resmungava. Dizia que aquilo não tinha justificativa e o dinheiro deveria ser guardado para necessidades futuras. Enquanto meu Pai vivia o presente, minha Mãe só pensava no amanhã.

Meu Pai faleceu. Logo no primeiro Natal sem a presença dele, após o almoço, não é que minha Mãe, para surpresa de todos – que antes condenava a distribuição daquele dinheiro-, apareceu com os mesmos envelopes e fez a distribuição de toda a importância que ela havia recebido, como pensionista do meu Pai.

Indaguei a ela o motivo de sua decisão. Ela simplesmente me respondeu: - Não vou deixar que aquilo que fazia bem ao seu Pai deixe de ser praticado.

E assim ela fez até morrer.

Os envelopes deixaram de ser distribuídos com a morte de ambos, mas na minha mente eles continuam a me ser entregues a cada ano em forma de proteção que recebo do meu Pai e da minha Mãe.

Saudade, quanta saudade daquele tempo.





24 de dezembro de 2010

Obrigado leitores.




Ultrapassamos a marca de 1.500 acessos.

Nosso blog está globalizado. Fomos acessados no Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Portugal, Croácia, Cingapura, Argentina e Rússia.

Isso nos dá animo para continuar escrevendo.

Chegamos ao final do ano.

É hora de desejar a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de sonhos realizados.









COLAÇÃO DE GRAU EM CURSO UNIVERSITÁRIO



Uma leitora do nosso blog faz uma consulta sobre a possibilidade de ela participar da cerimônia de colação de grau de sua instituição de ensino sem ter ainda cumprido todas as disciplinas previstas em sua matriz curricular. Pelo que consta ela deixou de cursar ou foi reprovada em apenas uma das disciplinas.

Vamos responder a consulta da nossa leitora e aproveitar o ensejo para discorrer um pouco mais sobre o tema.

A colação de grau em um curso superior é um ato solene de participação obrigatória do formando para que possa habilitar-se a receber o seu respectivo diploma.
 
Para que possa estar apto a colar grau, o concluinte deverá ter cumprido a carga horária estabelecida pelo MEC para o seu curso, com aproveitamento em todas as disciplinas pertencente a matriz curricular. Caso contrário, a instituição não deve autorizar o aluno a participar da cerimônia de colação de grau.

Como outras, a questão da colação de grau é assunto de competência institucional de cada uma das instituições, sendo importante que o aluno consulte o Regimento e eventuais regulamentos a respeito.

Ao deixar de colar grau e, consequentemente, de estar apto de receber o seu diploma, o formando ficará impedido de inscrever-se no respectivo conselho profissional.

Hoje tornou-se muito comum o aluno solicitar para participar da cerimônia de colação de grau antes de cumprir todas as exigências feitas pela sua instituição. Isso decorre, muitas vezes, pelo fato de ele ter contribuído ao longo do seu curso para a arrecadação de fundos para que aquele ato seja festivo. Ante a negativa de sua faculdade e/ou universidade, chegam alguns alunos a recorrer ao judiciário.

Tais pleitos, todavia, não têm logrado êxito, pois a solenidade de formatura é uma formalidade essencial, pois será nela que a autoridade educacional competente irá conferir o grau obtido pelo formando. O diploma que será expedido logo após, será o documento comprobatório de que o aluno cumpriu todos os requisitos acadêmicos.

Desta forma, se o aluno tem uma ou mais disciplinas pendentes, ou deixou de entregar o trabalho de conclusão de curso, certamente a instituição não irá permitir a sua participação na cerimônia de colação de grau e o poder judiciário não irá modificar tal decisão.

Para disciplinar o assunto as universidades gozam da autonomia que lhes é assegurada pelo Art. artigo 207, da Constituição Federal:

"As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.”
 
Por sua vez, o inciso VI do artigo 53 da Lei das Diretrizes Bases da Educação, prevê expressamente que o ato de conferir grau, diplomas ou outros títulos faz parte da autonomia universitária prevista no texto constitucional. Sendo tal ato de competência exclusiva da instituição, que pode negá-lo quando entender que as condições não foram observadas, não poderá o poder judiciário discutir o mérito da questão.

No que diz respeito às instituições não universitárias, faculdades, essas são obrigadas no seu credenciamento a estabelecer em seus documentos internos (regimentos) as condições exigidas para a conclusão do curso, passando tal ato para a sua competência.

Diante disso, a outorga do grau em cerimônia de colação de grau é assunto de exclusiva competência das instituições de ensino, que por sua vez devem respeitar o cumprimento dos requisitos acadêmicos, dentre os quais o cumprimento da carga horária prevista para o curso e a aprovação em todas as disciplinas da matriz curricular. Sem que isso ocorra, o aluno não poderá participar da colação de grau e a ele não será deferido o diploma.

O Poder Judiciário, não irá ferir a autonomia conferida pela Constituição Federal às instituições universitárias, ou ainda obrigar as que não gozam dessa autonomia, a não respeitar suas grades curriculares e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, exigindo-lhe algo que contrarie frontalmente a lei.

Esperamos ter respondido o questionamento da leitora e abordado um assunto que vez por outra é objeto de dúvidas por aqueles que estão terminando um curso superior.

Imagem extraída:

23 de dezembro de 2010

MENSAGEM DE NATAL




Feliz Natal e um 2011 repleto de sonhos realizados são os desejos deste blog a todos os seus leitores. Queremos deixar como nossa a mensagem abaixo transcrita:
“O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho. É viver cada momento e construir a felicidade aqui e agora. Claro que a vida prega peças. O bolo não cresce, o pneu fura, chove demais, perdemos pessoas que amamos... Mas, pensa só:

Tem graça viver sem rir de gargalhar, pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido estragar o dia por causa de uma discussão na ida pro trabalho?

Eu quero viver bem... E você? 2010 foi um ano cheio de coisas boas, mas também de problemas e desilusões, tristezas e perdas, desencontros, reencontros... Normal...

2011 não vai ser diferente. Muda o século, o milênio muda, mas o Homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas, e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança? O que eu desejo pra todos nós é sabedoria. E que todos nós saibamos transformar tudo em uma boa experiência. O nosso desejo não se realizou?

Beleza... Não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa para esse momento (me lembro sempre de uma frase que ouvi e adoro: “cuidado com seus sonhos, desejos, eles podem se tornar realidade”).

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano... Mas,se a gente se entender e permitir olhar o outro e o mundo com generosidade,as coisas ficam diferentes. Desejo para todo mundo esse olhar especial!

2011 pode ser um ano especial, se nosso olhar for diferente. Pode ser muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.

2011 pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, especial!

Depende de mim... De você.

Pode ser... E que seja!”
(Arnaldo Jabor)


22 de dezembro de 2010

DA CULPA DO EMPREGADOR

O texto a seguir nos foi encaminhado pelo Dr. Nivaldo Fernandes Gualda Júnior, colaborador deste blog.
 
Segue a reprodução na íntegra:


Muitas vezes o trabalhador, por ser considerada a pessoa mais fraca na relação de emprego, tem receio em “bater de frente” com seu empregador (patrão), achando que pode ser demitido por justa causa, perdendo todos os seus direitos.



O que pouca gente sabe é que o empregador também pode sofrer penalidades, quando agir contrário a lei, esse tipo de rescisão é chamada de Rescisão indireta, ou seja, é uma rescisão do contrato de trabalho por decisão do empregado em virtude de falta grave praticada pelo empregador .



Nesse tipo de rescisão o empregado tem garantida todas as verbas rescisórias entre elas, aviso prévio, 13º salário (proporcional), férias acrescidas de 1\3 (proporcional e integral), Saque do FGTS com a multa, Seguro desemprego e outras.



Ocorre que para acontecer a rescisão indireta deve a conduta irregular do patrão estar descrita em lei, e a CLT traz os tipos que podem ocorrer, disponibilizado no artigo 483, do qual vamos apresentar e fazer um breve relato.



A primeira hipótese, contida na alínea “a” do artigo 483, seria de exigir do empregado serviços superiores a sua força, como exigir das mulheres ou menores, força muscular superior a 20 Kg (art. 390 e § 5º do art. 405 da CLT).



Estando na mesma alínea mas considerada outra hipótese é o caso de exigir do empregado serviços proibido por lei, como colocar menor para trabalhar em local insalubre, ou pedir para o empregado ir fazer o “jogo do bicho”.



Outra hipótese elencada ainda na alínea “a”, é exigir serviços contrários aos bons costumes, aqui considerados serviços imorais.



Continua ainda a alínea “a” quando exige trabalho alheio ao contrato, exemplifica-se quando o empregador exige de um trabalhador contratado como contador o serviço de pedreiro, ou vice e versa.



Já na alínea “b” do artigo 483, temos a hipótese de tratamento com rigor excessivo por parte do empregador ou de qualquer superior hierárquico, situação essa normalmente caracterizada pela perseguição que o funcionário sofre.



Continua ainda o artigo 483, em sua alínea “c”, quando o empregado correr perigo de mal considerável, situação essa que o empregador não esta tomando as medidas necessárias para afastar os perigos do trabalhador possa a vir a sofrer um acidente de trabalho, podendo falecer.



A sétima hipótese, contemplada na alínea “d” do artigo 483, e a mais comum, ocorre quando o empregador não cumpri com as obrigações do contrato de trabalho, como não pagar os salários, FGTS, Féria, 13º salário, etc. Cumpri esclarecer que o Decreto-lei 368/68, em seu artigo 2º, caracteriza a mora do empregador quanto ao salário, após três meses de atraso, antes disso não seria possível, a nosso ver, a rescisão indireta. Mas qualquer descumprimento pode ser motivado para tanto.



Temos ainda a hipótese da ofensa a honra e boa fama, praticada pelo empregador ou seus representantes, contra os empregados, seria o caso de caluniar, difamar ou injuriar, o empregado ou seus familiares, situação essa prevista na alínea “e” do artigo 483.



A hipótese seguinte, constante na alínea “f’, é a ofensa física contra o empregado, realizada pelo empregador ou seus representantes, exceto no caso de legitima defesa.



A última hipótese trazida pelo artigo 483, em sua alínea ‘g” é o caso do empregador afetar o trabalho do empregado, quando receber por peça ou tarefa, de modo a reduzir sensivelmente o salário do empregado.



A grande dificuldade da rescisão indireta é que se faz necessária a concordância do empregador, o que não acontece, sendo necessário a busca do poder judiciário para reconhecimento da rescisão por culpa do empregador.


Nivaldo Fernandes Gualda Junior



Advogado, professor universitário na Uniesp, nos cursos de Direito e Administração, nas matérias de direito do trabalho, processo do trabalho e empresarial.


Bibliografia


- Almeida, Andre Luiz Paes de. Prática trabalhista. 3º Ed. Ver. e atual. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. (Prática Forense).



- Carrion, Valentin. Comentários à consolidação das Leis do Trabalho. 30 ed. São Paulo: Saraiva, 2005.



- Martins, Sergio Pinto. Fundamentos de direito do Trabalho. 3º Ed. São Paulo: Atlas, 2003. (Série fundamentos jurídicos)



- Martins, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 15. ed. – São Paulo: Atlas, 2002.



- Sussekind, Arnaldo. Convenções da OIT e outros tratados. 3º Ed. São Paulo: LTR, 2007





21 de dezembro de 2010

Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes




Recebemos por e-mail com autorização para divulgar. Como texto está em consonância com os objetivos deste blog, publicamos na íntegra o manifesto ao professor Kássio Castro Gomes que foi assassinado por ter dado notas baixas a um acadêmico.


A violência em nossa sociedade e no ambiente escolar assusta a todos.


Precisamos refletir e agir.


Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.

Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...)
Émile Zola
Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro. O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares. Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática. Rreprove, que atrapalha?. Não dê provas difíceis, pois ?temos que respeitar o perfil dos nossos alunos?. Aliás, ?prova não prova nada?. Deixe o aluno ?construir seu conhecimento.? Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, ?é o aluno que vai avaliar o professor?. Afinal de contas, ele está pagando... E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de ?novo paradigma? (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: ?o bandido é vítima da sociedade?, ?temos que mudar ?tudo isso que está aí?; ?mais importante que ter conhecimento é ser ?crítico?.? Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentiae desonesta da paparicação ao aluno ? cliente... Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que ?o mundo lhes deve algo?. Em desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar. Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal a o autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a ?revolta dos oprimidos?e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

Eu ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para ?adequar a avaliação ao perfil dos alunos?;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu ?tantos por cento?;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno ?terá direito? de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um ?novo paradigma?, uma ? nova cultura de paz?, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da ?vergonha na cara?, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os ?cabeça ? boa? que acham e ensinam que disciplina é ?careta?, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam ?promoters? de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de ?o outro?.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: ?Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria.

Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.?

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor ?nova cultura de paz? que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.



Igor Pantuzza Wildmann



Advogado, Doutor em Direito. Professor


Imagem:
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