20 de março de 2012

Vocês conhecem Mimi Alford ?



Essa é imperdível: reproduzo na íntegra.

Atenção, jovens do Brasil! Se vocês sabem que Mimi Alford foi amante secreta do presidente John Fitzgerald Kennedy e que, no fim de semana da morte de seu amante, em novembro de 1963, ela ficou tão arrasada que decidiu contar tudo para o seu noivo, parabéns! Vocês são bons candidatos ao posto de consultor legislativo do Senado Federal brasileiro.

Melhor ainda se souberem que ela foi estagiária da Casa Branca e que, mesmo tendo um namorado que, depois, se tornou seu noivo, preferiu JFK para ser seu primeiro homem.

Se, além disso, vocês praticam decoreba e lembram os nomes de todos os diretores da Petrobras têm grandes chances na última prova da Fundação Getulio Vargas para o Senado, que está recrutando "consultores de pronunciamentos". Isso mesmo!

O negócio é saber coisas inúteis, tomar memorex e praticar até caducar questões de provas passadas.

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Leia a íntegra do artigo publicado pelo jornal Correio Braziliense

O que aconteceu com Mimi?

por Cilene Rodrigues,

PhD em Linguística e professora da PUC do Rio de Janeiro

Atenção, jovens do Brasil! Se você sabe que Mimi Alford foi amante secreta do presidente John Kennedy e que, no fim de semana da morte de seu amante, no ano de 1963, Mimi ficou tão arrasada que decidiu contar tudo para o seu noivo, parabéns. Você é um bom candidato ao posto de consultor legislativo do Senado Federal brasileiro.

Se, além disso, você é bom de decoreba e lembra de memória o nome de todos os diretores da Petrobras e sabe na ponta da língua a resposta para a pergunta número 20 da última prova da Fundação Getulio Vargas para a consultoria do Senado, você tem chances reais de se tornar em 2012 um consultor de pronunciamentos do Senado. O negócio é saber coisas inúteis, tomar memorex e praticar até caducar questões de provas passadas.

Inteligência? Estar antenado com os acontecimentos globais? Para que isso? Não se preocupe em fazer leituras pesadas. Concentre-se em decorar nomes e terminologias e trate de mentalizar o modelo de prova da instituição responsável pelo concurso.

Se você sabe verificar os passos argumentativos de um texto, conhece tudo sobre a Primavera Árabe, a histórica luta da Palestina pela independência, entende por que as nações atuais devem criar modelos de desenvolvimento econômico que sejam compatíveis com a sustentabilidade ambiental, tem uma visão crítica de problemas seculares do Brasil, como falta planejamento urbano, precariedade do sistema de saúde e educação pública, falsa distribuição de renda, então esqueça o sonho de trabalhar no Congresso.

Com esse conhecimento todo, você pode ser professor universitário, mas nunca consultor legislativo do Senado. Contente-se com um salário inicial de no máximo R$ 8 mil pago nas universidades públicas. Faça as pazes com o fato de que você dará aulas em salas faltando giz, sem ar-condicionado no verão e que, às vezes, inundam durante o período das chuvas.

Dinheiro para pesquisa? Só se você for muito persistente. O Brasil, tendo de pagar altos salários para funcionários do Legislativo, Executivo e Judiciário, não pode dedicar mais que 1% do Produto Interno Bruto (PIB) à pesquisa. Por isso, você não vai fazer sua pesquisa de graça. Você vai pagar do próprio bolso por ela. Fazer o quê?

A pessoa que sabe quem foi Mimi Alford merece ganhar mais que você, concorda? Afinal, ela vai passar na prova da Fundação Getulio Vargas, você não. Então, coloque uma pedra sobre o sonho de ganhar R$ 23 mil por mês, sem dedicação exclusiva, trabalhando em salinhas com ar-condicionado, carpete bonito no chão, cheias de gente becada. Isso não te pertence. Você sabe demais!

A prova da Fundação Getulio Vargas para consultor legislativo na área de pronunciamento do Senado Federal mostra abertamente a realidade brasileira: o país cresce e aparece economicamente, mas, quando o assunto é educação e desenvolvimento do conhecimento, contemplamos o futuro pelo espelho retrovisor e vamos de marcha a ré. O conteúdo de várias das perguntas é alarmante, prova concreta do nosso subdesenvolvimento intelectual.

É tão descabível perguntar sobre Mimi Alford em uma prova para um cargo de consultor legislativo que nos resta apenas a dúvida: seria esse um concurso de cartas marcadas, feito para mimos e mimis de senadores e deputados? Isso ou estamos vivendo um verdadeiro apagão intelectual. Nossos senadores terão a partir deste ano, ao seu dispor, uma junta de especialista em Mimi Alford. Dessa junta sairão os discursos que as nossas crianças ouvirão na rádio e TV Senado ou estudarão na escola, perpetuando, assim, a cegueira atual.

Falando em crianças e escola, é preciso, diante da prova da Fundação Getulio Vargas, rever nossas críticas ao método de ensino público. Nossas crianças, todas elas, têm o direito de se prepararem bem para um concurso público e de se tornarem consultores do Legislativo. Então, decoreba massiva neles!

Leituras? Só se for de revistas de fofocas. Nada mais. Hoje foi Mimi. Com o andar em retrocesso da nossa carruagem, em 20 anos, a bola da vez poderá ser uma das famigeradas Mônicas.

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Leia a matéria seguinte

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Afinal, quem é Mimi Alford ?

Com informações da Wikipedia

Marion "Mimi" Alford (nascida em 4 de junho de 1944) é uma mulher americana que escreveu um livro publicado pela primeira vez em 2011 sobre seu caso, de 50 anos antes, com o presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, quando ela era um jovem de 19 anos estagiária, trabalhando na Casa Branca.

Seu livro é intitulado "Once Upon a Secret", com o subtítulo já traduzido de "Meu caso com o presidente John F. Kennedy e suas consequências".

Em seu livro, Mimi Alford escreve sobre como ela perdeu a virgindade 1962 para o presidente, e narra que o caso durou 18 meses. Ela escreveu que eles não tiveram relações sexuais depois de agosto de 1963, embora eles tivessem se visto constantemente até seis dias antes de ele ser assassinado.

Na ocasião, ela era estudante no Wheaton College, uma escola privada (feminina).

Ela é atualmente uma avó e uma aposentada de Nova York, administradora de uma igreja.

A relação íntima foi publicada pela primeira vez na biografia "Kennedy 2003: An Unfinished Life", por Robert Dallek. O romance foi confirmado anteriormente, em termos gerais, por Barbara Gamarekian, assessora de imprensa, à época presidencial, de JFK, identificando "Mimi" pelo nome em seu livro de memórias orais.

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