
A eleição de Renan Calheiros,
como presidente do Senado brasileiro, foi contestada pela mídia e por uma
parcela da população das redes sociais.
Até mesmo os senadores que
deram uma vitória tranquila a Renan – 56 votos de um total de 81 – apenas 35
deles declaram publicamente que votaram nele. Como o voto é secreto, com vergonha
e até de sofrer desgaste eleitoral, os demais não declaram que votaram em Renan.
Apesar de terem sido
recolhidas mais de 1,6 milhão de assinaturas que pedem o impeachment do atual
presidente daquela Casa, e que foram entregues no Senado por representantes de
movimentos anticorrupção, tímidas têm sido as manifestações populares em apoio
ao movimento que pede a saída de Renan Calheiros da presidência do Senado
Federal.
Vejam, por exemplo, a que
ocorreu ontem, dia 23 de fevereiro em São Paulo e que foi noticiada pela mídia:
“Segundo a Polícia Militar, a passeata reuniu cerca de 250 pessoas. O protesto
começou por volta das 14h no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) e
seguiu em direção à rua da Consolação. Com faixas, cartazes e bandeiras, os
manifestantes pediram a saída de Renan Calheiros da presidência do Senado. O
senador foi eleito presidente da Casa no início de fevereiro”.
Em Brasília a manifestação
contou com apenas 60 pessoas, em Curitiba pouco mais de 200. Em outras cidades
também aconteceram manifestação e igualmente o número de participantes foi
muito pequeno.
Apesar de um dos
organizadores da manifestação em Brasília, Rogério Salvia, do Movimento contra a
Corrupção do Distrito Federal, ter manifestado que as pessoas estão começando a
sair do conforto de suas casas para as ir às ruas protestar, abandonando o
chamado “ativismo de sofá”, ainda é muito tímido o número de brasileiros que se
dispõe a protestar em defesa da ética e da moralização política no Brasil.
Nem mesmo as redes sociais
– poderosa “arma” hoje disponível – têm demonstrado eficácia no Brasil para
construir as articulações para mobilizar a população em pról de movimentos políticos.
E tudo isso acontece no
momento histórico em que o país, depois do advento da Constituição de 1988,
criou condições para que fosse possível a participação direta dos cidadãos na vida política da nação. Hoje
a nossa Carta Magna estabelece os referendos e os plebiscitos como instrumentos
de consulta; a abertura ao cidadão da possibilidade de apresentação de projetos
de lei de iniciativa popular ao Congresso Nacional; e o reconhecimento explícito
da participação cidadã como princípio básico nos processos de elaboração e
gestão de políticas públicas, notadamente nos capítulos dos chamados direitos
sociais.
Em
razão de tudo isso, temos que concordar com o jurista Fábio
Konder Comparato, quando ele afirma que “Toda a nossa vida política é decidida
nos bastidores e para vencer isso não basta mudar as instituições políticas, é
preciso mudar a mentalidade coletiva e os costumes sociais. E a nossa
mentalidade coletiva não é democrática. O povo de modo geral não acredita na
democracia, não sabe nem o que é isso. Não sabe que é um regime político em que
ele tem o poder em última instância e que ele deve decidir as questões
fundamentais para o futuro do país. Não sabe que ele deve não somente eleger os
seus representantes, mas também poder de destituí-los. O povo não sabe que ele
deve ter meios de fiscalização contínua dos órgãos do poder, não apenas do
Executivo e Legislativo, mas também do Judiciário, que se verificou estar
corrompido até a medula, com raras e honrosas exceções”.
Temos esperança de que tal
situação venha mudar? Eu espero que sim. E você caro leitor?
Notas:
1, Como revelou o Congresso em Foco,
Renan foi denunciado às vésperas de ser eleito presidente do Senado pelo
procurador-geral da República por uso de notas frias para justificar a venda
de bois de Alagoas.
O senador é acusado de desvio de dinheiro, falsidade ideológica e uso de
documento falso. Renan ainda responde a dois inquéritos no Supremo, um
por crime ambiental e
outro por tráfico de influência.
2.Leia Fábio Konder Comparato "Na verdade o povo não tem
poder nenhum" – em http://www.brasildefato.com.br/node/10784
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