
Em algum lugar do mundo, um juiz de primeiro grau - que está com a jurisdição em dia - sai do seu trabalho, atravessa a pé duas avenidas movimentadas e sozinho vai almoçar num restaurante movimentado, defronte a uma praça.
Ao lado, numa mesa maior, há um grupo. São assessores e estagiários que trabalham na corte - percebe o anônimo magistrado.
Sem discreção, os cinco jovens comentam como enfrentam as pilhas no tribunal, como decidem controvérsias, como solucionam situações modelares e como leem contratos enormes com letras pequenas.
E também falam em (in) assiduidade de seu superior hierárquico.
Menos de uma hora depois, desenxavido, o juiz - que testemunhou a conversa - está de volta ao seu gabinete. Faz as contas de quantos meses faltam para a sua aposentadoria e, compungido, no fim da tarde, revela à esposa e à filha (ela está preparando concurso público na área do Direito) - que, em "x" meses, ele vai se aposentar, envergonhado.
É a terceirização da prestação jurisdicional. Ou, para sermos mais explícitos, o crescimento jurisdicional da estagiariocracia.
Sabendo do fato, um dia depois um procurador de justiça avalia que "o que preocupa também, além do crescimento, é o peso da estagiariocracia".
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