10 de março de 2012

Uma fábula a álcool




 









Era uma vez,  um país que disse ter conquistado a independência energética com o uso  do álcool feito a partir da cana de açúcar.

Seu presidente falou ao mundo todo sobre a sua conquista e foi muito aplaudido por todos. Na         época, este país lendário começou a exportar álcool até para outros  países mais desenvolvidos.

Alguns anos se passaram e este mesmo país assombrou novamente o mundo quando anunciou que tinha tanto  petróleo que seria um dos maiores produtores do mundo e seu futuro como  exportador estava garantido.

A cada discurso de seu presidente, os aplausos eram tantos que confundiram a capacidade de pensar de seu povo. O tempo foi passando e o mundo colocou algumas barreiras para evitar que o grande produtor invadisse seu mercado. Ao mesmo tempo  adotaram uma política de comprar as usinas do lendário país, para serem     os donos do negócio.

Em 2011, o fabuloso país grande produtor de  combustíveis, apesar dos alardes publicitários e dos discursos  inflamados de seus governantes, começou a importar álcool e  gasolina.

Primeiro começou com o álcool, e já importou mais de 400 milhões de litros e deve trazer de fora neste ano um recorde de 1,5 bilhão de litros, segundo o presidente de sua maior empresa do setor, chamada Petrobras Biocombustíveis. Como o álcool do exterior é inferior, um órgão chamado ANP (Agência Nacional do Petróleo) mudou a  especificação do álcool, aumentando de 0,4% para 1,0% a quantidade da água, para permitir a importação. Ao mesmo tempo, este país exporta o álcool de boa qualidade a um preço mais baixo, para honrar contratos  firmados.

Como o álcool começou a ser matéria rara, foi mudada a         quantidade de álcool adicionada à gasolina, de 25% para 20%, o que fez com que a grande empresa produtora de gasolina deste país precisasse importar gasolina, para não faltar no mercado interno. Da mesma forma, ela exporta gasolina mais barata e compra mais cara, por força de  contratos.

A fábula conta ainda que grandes empresas   estrangeiras, como a BP (British Petroleum), compraram no último ano várias grandes usinas produtoras de álcool neste país imaginário, como a  Companhia Nacional de Álcool e Açúcar, e já são donas de 25% do  setor.

A verdade é que hoje este país exótico exporta o álcool e  a gasolina a preços baixos, importa a preços altos um produto inferior,   seu povo paga por estes produtos um dos mais altos preços do         mundo.

Infelizmente esta fábula é real e o país onde estas coisas   irreais acontecem chama-se Brasil.

CELIO PEZZA é  escritor

Crédito:

Recebi por e-mail de Maria Elisa Giorgetti , Campinas, SP.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradecemos seu comentário. Críticas serão sempre aceitas, desde que observado os padrões da ética e o correto uso da nossa língua portuguesa.

Já chegamos ao fundo do poço?

        A crise moral, política e financeira que se abateu sobre o nosso país não nos dá a certeza de que já chegamos ao fundo do poço....