25 de outubro de 2012

DANÇARINA AGORA É PROMOTORA DE JUSTIÇA




FOTO DA PUBLICAÇÃO - ESPAÇO VITAL




Veja a notícia que foi publicada no site Espaço Vital:

Uma ex-dançarina do programa ´Caldeirão do Huck´, da Rede Globo, é a mais nova integrante dos quadros do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Clarice Zeitel Vianna Silva, 29 de idade atual, foi aprovada em concurso público e assumiu o cargo de auxiliar da 5ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude. As informações são do saite Terra.


Em 2009, então estudante dançarina do programa, era aluna da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando ganhou um concurso de redação promovido pela Unesco.


Concorrendo com mais de 50 mil participantes, Clarice venceu a disputa com a redação cujo tema era
"Como vencer a pobreza e a desigualdade". Seu texto teve o título de "Pátria madastra vil". A redação foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco

Poucos meses depois, ela foi aprovada no primeiro Exame de Ordem a que se submeteu logo após concluir o seu curso de Direito.


Até passar, agora, no concurso do Ministério Público, era inscrita na OAB-RJ (Subseção de Niterói) sob o nº 155.917.
 
Veja a redação premiada da ex-dançarina e agora Promotora de Justiça:

PÁTRIA MADRASTA VIL

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios??


Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.


Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.


O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.


Há quem diga que
dos filhos deste solo és mãe gentil., mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe.

Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.


A minha mãe não tapa o sol com a peneira. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome.


Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade... Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!


É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!


A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão...


Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?


Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seu s efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.


Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?


Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos...


Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído?


Como gente... Ou como bicho?

Fonte:

www.espacovital.com.br
 

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