22 de fevereiro de 2013

TOLERÂNCIA ZERO - COMO PRECISAMOS DISSO





Não posso deixar de reproduzir no meu blog. Como precisamos dessa teoria em nosso querido Brasil.




TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS


Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.


 Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.


É comum atribuir à pobreza as causas de delito.

Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e da esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. 


Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?


Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.


Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como o "vale tudo". Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores.

Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.


Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.


Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade) , estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.


A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujeira das estacões, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.


Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de 'Tolerância Zero'.

A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.


A expressão 'Tolerância Zero' soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero.


Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.


Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja em nosso bairro, na vila ou condominio onde vivemos, não só em cidades grandes.


A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.

Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc. 

Pense nisso!


(Via Edith Agnes Schultz)

Um comentário:

  1. Olá Professor, Dr. Franco;
    É sempre uma satisfação ler as postagens em seu Blog!!!
    Refletindo a respeito, saudosamente lembro-me da cidade onde moro, nos idos de 1980. São José do Rio Preto sempre teve uma importância estratégica no estado e diga-se lá, também ao Brasil. Tal significado comprova-se ao fato de que a rodovia federal BR 153 corta a cidade em duas assim como a rodovia Washington Luiz transforma no conjunto transversal, os quadrantes aos quais a cidade desenvolve-se. O termo saudosamente insere-se neste texto porque sobre as questões das janelas quebradas, o efeito parece o mesmo para a impunidade. A essa altura quem acompanha esta leitura pode sentir-se confuso ou não entendo meu comentário. Vamos por parte. Conheci SJRP no início da década de 80 e por uns 3 anos era comum viajar para lá e a admiração pelo local sempre existiu. Admiração tal que em 1995 mudei-me para uma cidade próxima por questões de trabalho e logo em seguida para Rio Preto. Desde meados de 2000, por volta de 2004, venho notadamente percebido que o desenvolvimento da cidade não acompanhou os bons costumes de antes e o pior, o maior problema não ocorre na Zona Norte, digamos a mais populosa e conseqüentemente mais carente. Essa carência respinga noa aspectos de violência urbana. Agora o absurdo esta na impunidade corrente do lado nobre da cidade diga-se aqui, quanto mais nobre, maior o peso do "padrinho". Nesta minha reflexão sobre o texto do blog identifico que a violência é uma crescente na Zona Norte mais por representatividade das demonstrações de impunidade aos jovens e outros que dirigem seus carrões em alta velocidade na avenida com notório grau de embriaguez. Quando não alcoolizados, muitos até drogados ou sob o efeito do "tudo eu posso". Tudo bem... São jovens...mas são seres humanos em meio à outros! Indignou-me e desgostou-me profundamente do apreço que tinha pelo município porque passei por situação de acidente de transito onde o outro motorista, nada abastado e tão pouco com um carrão mas, com a soberba da impunidade pelo seu parentesco com autoridades e políticos da região. Tive que fazer muito "Barulho" e "bafafá" para que tudo fosse levado adiante, e depois da audiência com o juiz onde lá compareceram também seus "colegas", como chamou-os, pelo fato de que no dia do acidente a minha esposa estava grávida e isso tocou a juíza, ela ignorou o peso dos "colegas" (foi de fato justa e ética) e determinou a sua prisão por dois e outras tantas punições e multas cabíveis. Não me senti nada bem com o fato. Senti-me um tanto vidraça também! Por que me senti vidraça??? Em especial porque o réu já havia se envolvido em outros acidentes pelo mesmo motivo e nada havia ocorrido (!!!!!!!) e naquele dia conheci também a sua esposa com o seu filho recém nascido cuja idade é de apenas alguns dias de diferença do meu. Não me arrependo pela busca da justiça tão pouco me sinto culpado pelas prováveis necessidades que sua família deve estar passando alem de o gurizinho. Mas tornei-me um vidro a ser quebrado da janela. Se por um lado ele apropriou-se,como ocorre com muitos lá, das condicionantes da impunidade, eu tornei-me um cidadão com medo, receoso e vigilante de meus passos. Uma janela cuja luz do sol muitos incomodados com o fato, não desejam mais nem que passe por ela!

    De qualquer forma a vida continua e muitos vidros terão que ser trocados de tantas outras janelas... E tantas outras janelas terão bloqueadas a sua luz!!!

    Que a maior de todas as janelas(Deus),continue a brilhar no coração de muitos...

    Grande abraço Dr. Franco!!!

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